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Protestos contra o aumento do preço da gasolina deixam 12 mortos no Irã

Governo pretende subir o valor do litro em 50% e racionar a quantidade comprada ao mês; internet no país está fora do ar há 48 horas

Ao menos 12 pessoas morreram, incluindo um policial, e cerca de 1.000 manifestantes foram presos no Irã durante os protestos contra o aumento do preço do combustível no país anunciado na sexta-feira 15. Nesta segunda-feira, 18, a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) declarou que pode tomar uma ação “decisiva” contra as manifestações.

Os protestos tiveram inicio no dia do anuncio do plano econômico que busca alavancar receitas devido a sanções americanas que foram impostas em março de 2018, após a saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano. O governo anunciou um aumento de pelo menos 50% do preço do combustível.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a população iraniana convive com o aumento de 40% na inflação do país desde que a campanha de “pressão máxima” dos Estados Unidos entrou em vigor após o abandono do acordo.

Os manifestantes atearam fogo e depredaram postos de gasolinas e prédios públicos, como bancos, além de bloquear rodovias que dão acesso aos campos de petróleo. Segundo a agência de notícias Fars, que é ligada à Guarda Revolucionária, cerca de 87.000 pessoas participaram dos protestos. O número, contudo, pode ser bem maior.

A ameaça da Guarda Revolucionária segue o comunicado do presidente do país, Hassan Rohani, dizendo que o Estado não deve “permitir a insegurança” nas ruas. “Manifestar seu descontentamento é um direito. Mas a manifestação é uma coisa, e o distúrbio é outra”, completou.

Para tentar diminuir o poder das manifestações, o governo iraniano restringiu o uso da internet no país durante o fim de semana. Segundo a organização Netblocks, que mapeia o uso da internet pelo mundo, a rede no Irã continua em completo blecaute nesta segunda-feira.

A nova política para a gasolina foi decidida à meia-noite de sexta-feira pelo Alto Conselho de Coordenação Econômica que é formado por Rohani, pelo presidente do Parlamento e pelo diretor da Autoridade Judicial. O plano recebeu apoio do líder de fato do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Em um pronunciamento na televisão, Khamenei disse que apesar de não ser especialista no assunto e assumir que há opiniões diferentes quanto ao aumento dos preços, os líderes do conselho receberiam seu apoio.

“Ontem à noite e na anterior aconteceram problemas em várias cidades do país, alguns perderam a vida e as infraestruturas foram danificadas. Algumas pessoas estão contrariadas por esta decisão, mas danificar e atear fogo não é algo de uma pessoa normal”, declarou Khamenei.

O plano prevê um aumento no preço da gasolina de 15.000 rials iranianos (cerca de 1,86 reais) para 30.000 rials (cerca de 3,77 reais), um aumento de 50% no valor. O governo também vai racionar o volume máximo de gasolina no mês: para os primeiros 60 litros vale o aumento anunciado, acima desse limite mensal, o valor do litro sobe em 300%.

Apesar do Irã ter a quarta maior reserva de petróleo do mundo e recentemente ter descoberto mais um poço para extrair a commoditie, a economia não tem um futuro otimista, segundo o FMI. Além de sofrer com a alta da inflação, o Produto Interno Burto do país poderá regredir em 9,5% em 2020, segundo o fundo.

(Com AFP)