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Protesto de estudantes chilenos tem início violento em Santiago

Por Por Paulina Abramovich - 18 out 2011, 15h33

O primeiro dia do protesto de 48 horas convocado pelos estudantes chilenos teve início violento, com a instalação de barricadas incendiárias em vários pontos de Santiago e a queima de um ônibus, que provocou um caos no trânsito durante a hora do rush pela manhã.

Os incidentes ocorreram cedo nos arredores de diversas universidades e colégios, onde foram levantadas barricadas incendiárias e registrados confrontos violentos com a polícia.

Um ônibus do transporte público foi incendiado por um grupo de encapuzados nos arredores da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade do Chile. O motorista ficou ferido, mas todos os passageiros saíram ilesos.

Em ao menos outros 10 pontos da cidade também foram levantadas barricadas e fogueiras com queima de lixo, pneus e outros objetos, que obrigaram a paralisação do trânsito em grande parte da cidade, de 6 milhões de habitantes, na hora do rush pela manhã, provocando engarrafamentos.

O dia de protestos foi convocado pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e ocorre no momento em que o diálogo com o governo está interrompido, depois que os estudantes se retiraram em 4 de outubro da mesa de negociação aberta para destravar esse conflito que se arrasta há mais de cinco meses.

A mobilização conta com o apoio de cerca de 70 organizações, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do país, e o Colegiado de Professores, que chamaram seus associados a protestar com os estudantes na quarta-feira, quando estão previstas duas marchas que se encontrarão no centro de Santiago.

O governo repudiou a violência e disse que a manifestação não conseguiu nesta terça-feira paralisar o país.

“Não há paralisação (…). Mais uma vez temos que lamentar que os encapuzados de sempre, os vândalos, realizem uma série de ações absolutamente condenáveis”, disse o porta-voz do governo, Andrés Chadwick.

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“Grupos violentos levantaram barricadas, fizeram fogueiras, jogaram bombas de coquetel molotox contra nossos policiais, e como se isso fosse pouco, impediram as aulas de um jardim de infância que teve de ser evacuado; destruíram e queimaram um ônibus”, completou.

A polícia chilena não entregou ainda um relatório com o número de presos e feridos.

“Sabemos que a violência não reflete o que é o movimento (…), mas também temos que nos questionar por que chegamos a esse nível de protesto”, disse Camilo Ballesteros, um dos líderes do movimento estudantil, ao Canal 13 de TV.

Para esta terça-feira, os estudantes anunciaram um grande ‘panelaço’ noturno, enquanto um grupo de líderes do Colegiado de Professores entregava no palácio presidencial La Moneda os resultados de uma pesquisa sobre educação realizada na semana passada.

Antes de subir ao palácio de governo, foram registrados alguns confrontos com a polícia.

De acordo com o órgão docente, 1,5 milhão de pessoas participaram dessa pesquisa, que revelou que 88,7% apoiam a demanda por uma educação pública gratuita e de qualidade.

Os estudantes protestam contra o sistema educativo herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que diminuiu o aporte público à educação e fomentou a inclusão dos privados. Fruto dessas reformas, hoje apenas 40% dos estudantes chilenos vão a colégios públicos gratuitos, enquanto no nível universitário a gratuidade não existe.

Ao longo de cinco meses de protestos, os estudantes realizaram cerca de 30 mobilizações que na maior parte acabaram em confrontos com a polícia. Cerca de 250.000 estudantes estão sem aulas, assim como milhares de estudantes de universidades públicas.

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