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Protesto contra fraude em eleições gera cerca de 100 detenções na Rússia

Moscou, 6 dez (EFE).- Cerca de 100 opositores foram detidos nesta terça-feira no centro de Moscou quando protestavam contra fraudes nas eleições parlamentares do domingo que favoreceram o partido governista Rússia Unida, liderado pelo primeiro-ministro, Vladimir Putin.

‘Não me lembrava de nada igual. Acabava de sair com minha filha e (o opositor ex-vice-presidente do Parlamento) Vladimir Rijkov do metrô quando me cercaram, me detiveram e me conduziram a um automóvel policial’, afirmou após ser preso o dirigente opositor Boris Nemtsov, antigo vice-primeiro-ministro, à agência ‘Interfax’.

Entre os detidos está o escritor Eduard Limonov, líder do movimento oposicionista ‘A Outra Rússia’, que convocou o protesto não autorizado, e Sergei Mitrokhin, líder do partido liberal Yabloko, o quinto partido mais votado nas legislativas.

Oleg Orlov, chefe da organização de direitos humanos Memorial, também foi preso e vários jornalistas, entre os quais o repórter do jornal ‘Kommersant’, foram supostamente agredidos pela polícia, segundo o jornal online ‘Gazeta.ru’.

Os detidos foram levados à força a ônibus que deixaram a praça com destino à delegacia, segundo as fontes, que citam testemunhas.

O Ministério do Interior reconheceu que introduziu tropas em Moscou e que estas permanecerão na cidade até o fim da semana, quando forem anunciados os resultados definitivos da votação, segundo disse ao ‘Gazeta.ru’ o responsável de imprensa do ministério, Oleg Yelnikov.

‘Rússia sem Putin’, cantam os manifestantes nas imediações da Praça Triumfalnaya da capital russa, local habitual de concentração da oposição não parlamentar, segundo o jornal online.

Assim, de pouco adiantou a polícia moscovita ter advertido nesta manhã que tomaria todas as medidas necessárias para impedir qualquer ação de protesto não autorizado na capital russa.

Os manifestantes também reivindicam nesta terça-feira a libertação das centenas de opositores detidos na véspera nas imediações das sedes da Comissão Eleitoral Central e do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB) na Praça Lubianka.

Os organizadores utilizaram ativamente a rede social Facebook para convocar seus partidários a se manifestarem contra a fraude eleitoral.

Tanto a ONG Golos quanto a emissora de rádio ‘Eco de Moscou’ e vários sites denunciaram milhares de irregularidades cometidas durante a votação.

Entre elas destacam-se a introdução de cédulas nas urnas e a fraude que consiste em levar dezenas de pessoas de ônibus por diferentes colégios eleitorais para que votem repetidamente pelo partido governista.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, negou nesta terça-feira que as denúncias de irregularidades divulgadas em vídeo por diversos sites possam ser utilizadas como ‘prova evidente’ de fraude nas eleições.

O Rússia Unida, que obteve menos de 50% dos votos, conseguiu a maioria absoluta na Câmara Baixa, mas com 77 cadeiras a menos do que há quatro anos. EFE