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Promotoria iraniana pede pena de morte para o blogueiro mais influente do país

Preso há 22 meses, Husein Derajshan é acusado de ter incentivado a criação de blogs e sites contra a ditadura dos aiatolás

Por La Vanguardia 21 set 2010, 15h36

A blogosfera iraniana é uma das mais dinâmicas do Oriente Médio apesar de todos os esforços do regime para controlá-la. Ontem se soube que esse empenho das autoridades pode custar a vida a Husein Derajshan, o blogueiro mais influente do país – pioneiro que distribuiu on-line instruções para que a cidadania criasse seus próprios blogs e sites na internet.

Husein Derajshan, apelido Hoder, está preso há 22 meses na prisão de Evin, em Teerã, e ontem vários blogueiros iranianos familiarizados com seu caso confirmaram que a promotoria pediu que seja executado por enforcamento.

De acordo com os testemunhos recolhidos pela Global Voices, a rede internacional de blogueiros contra a censura, Derajshan foi acusado de “colaborar com estados inimigos, fazendo propaganda contra o regime islâmico” e de “insultar a santidade religiosa e criar propaganda para grupos anti-revolucionários”. O processo, ao que parece, terminou em junho, mas o tribunal ainda não proferiu a sentença.

Derajshan, que nasceu em Teerã em 1975, também tem passaporte canadense, ainda que o Irã não reconheça a dupla nacionalidade. Ao ser detido, em novembro de 2008, se especulou que o motivo seriam as duas viagens que fez a Israel e foram amplamente divulgadas. Deveria sentir-se muito seguro, pois logo depois da última viagem se estabeleceu em Teerã.

De nada serviu mudar o número do telefone e escrever a favor do presidente Ahmadinejad. Os aiatolás e a Guarda Revolucionária o tinham na mira. Os imãs não gostavam de seu tom liberal, ocidentalizado, enquanto os guardas temiam que fosse um espião da CIA, infiltrado para gestar uma revolução de veludo por meio da internet.

Ter dois passaportes no Irã é motivo suficiente para ser suspeito de pertencer à quinta coluna anti-revolucionária. São frequentes as notícias sobre detenções arbitrárias de pessoas com dois passaportes. Atrás das grades adquirem um valor de troca muito útil para um regime que se sente encurralado pelo Ocidente.

O governo iraniano mantém bloqueados mais de 5 milhões de sites. Na prisão há vários blogueiros. Pelo menos um foi morto enquanto estava preso. A informação on-line, ainda assim, é cada dia mais abundante. Existem 22 milhões de usuários de internet e 65 mil blogueiros que escrevem sobre política, cultura e temas sociais. Num país onde a guitarra elétrica ou cantar em inglês é proibido, a música circula on-line graças a usuários que arriscam a vida por um blog livre.

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