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Promotoria egípcia apresenta vídeo que prova uso de violência pela Polícia

Cairo, 4 jan (EFE).- A Procuradoria Geral egípcia apresentou nesta quarta-feira provas de que as manifestações durante a Revolução de 25 de janeiro foram pacíficas e o uso da violência partiu da Polícia em uma nova sessão do julgamento contra o ex-presidente Hosni Mubarak.

Ashraf Atwa, um dos advogados de acusação, detalhou à Agência Efe que uma das provas apresentadas pela Promotoria foi um vídeo com trechos de diferentes meios de comunicação ocidentais que mostra policiais disparando contra os manifestantes e os atropelando com carros de combate militares.

Mubarak, de 83 anos, está sendo processado junto de seu ex-ministro do Interior Habib al Adly e seis de seus ajudantes pelo suposto envolvimento na morte de centenas de manifestantes que saíram às ruas desde 25 de janeiro para pedir a manifestação do então presidente, que renunciou finalmente 11 de fevereiro.

‘A sessão desta quarta-feira foi uma grande surpresa para o povo egípcio, já que a Promotoria apresentou provas fortes contra os acusados, das quais não se pode duvidar’, afirmou Atwa.

Entre as provas figuram algumas de analistas que confirmam que os ferimentos sofridos por muitos revolucionários foram causados por armas e gás lacrimogêneo, o que demonstra o uso da violência pelos policiais.

Conforme a mesma fonte, a Promotoria se queixou nesta quarta-feira que os diferentes departamentos do Estado não cooperaram durante as investigações e no período de recolhimento de informações sobre o que ocorreu na revolução.

O tribunal decidiu continuar nesta quinta-feira o julgamento, denominado no Egito ‘o processo do século’, em uma sessão na qual serão tratadas ainda as acusações relacionadas aos supostos casos de corrupção cometidos pelo antigo regime.

Mubarak é julgado também pelo suposto delito de corrupção, no qual divide o banco dos réus com seus filhos, Gamal e Alaa.

O julgamento estava suspenso desde 30 de outubro por uma reivindicação dos advogados da acusação, que queriam excluir do processo os juízes do caso. O pedido foi negado em dezembro e o processo contra o ex-presidente foi retomado em 28 do mesmo mês.

Há dois dias, a corte decidiu concluir a fase probatória do processo e começar a ouvir as alegações da acusação e da defesa como último passo antes de ditar sentença. EFE