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Promotor recorre para dar continuidade à investigação contra Cristina Kirchner

Na apelação, Gerardo Pollicita ressalta gravidade da denúncia e afirma que decisão de rejeitá-la foi ‘precipitada’

O promotor Gerardo Pollicita apelou nesta quarta-feira contra a decisão do juiz Daniel Rafecas de rejeitar a denúncia contra a presidente Cristina Kirchner no caso Amia (Associação Mutual Israelita Argentina). Na última quinta-feira, Rafecas decidiu não acatar a denúncia segundo a qual Cristina, o chanceler Héctor Timmerman e vários apoiadores trabalharam para encobrir a participação do Irã no atentado contra o centro judaico que deixou 85 mortos em 1994.

A acusação foi apresentada pelo promotor Alberto Nisman em janeiro, depois de mais de dez anos de investigação. Dias depois, ele foi encontrado morto no banheiro do apartamento onde morava em Buenos Aires. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas. Pollicita reavaliou as 300 páginas da acusação e decidiu indiciar a presidente e os demais envolvidos, para que a investigação tivesse continuidade. O que foi negado por Rafecas.

Agora, o promotor argumenta que a decisão “descarta de forma antecipada e prematura a hipótese” contida na denúncia de Nisman, segundo informou o La Nación. “A decisão de proceder ao encerramento imediato, sem realizar nenhuma das medidas que haviam sido propostas no requerimento de instrução, impede contar com informação essencial para poder sustentar com certeza que a criação de uma ‘Comissão da Verdade’ não tem relevância no âmbito penal ou que não houve uma ação orientada para retirar os alertas vermelhos relacionados aos envolvidos iranianos com pedido de captura pelo atentado contra a Amia”.

A comissão citada por Pollicita foi criada por meio de um pacto assinado entre Argentina e Irã em janeiro de 2013. A comissão deveria revisar as atuações judiciais em relação ao atentado e recomendar um plano de ação para seu esclarecimento. Segundo a denúncia de Nisman, o governo argentino tentou que as notificações vermelhas (ordens de busca e captura) contra terroristas iranianos fossem retiradas, mas a Interpol negou-se a fazê-lo.

O promotor argumenta ainda que “uma hipótese criminal de inusitada gravidade e transcendência institucional, como a apresentada por Nisman, demanda a realização de todos os esforços possíveis para tentar alcançar a verdade do que aconteceu”.

Para Rafecas, no entanto, não havia elementos para sustentar a existência de delito. O juiz desconsiderou, inclusive, milhares de horas de escutas telefônicas – contidas em mais de 40.000 arquivos – realizadas por Nisman, afirmando que “não tinham vínculo algum com os fatos denunciados”.

(Da redação)