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Promotor diz que diplomata indiana presa nos EUA explorava sua empregada

Funcionário da Justiça disse que Devyani Khobragade pagava salário abaixo do mínimo dos Estados Unidos e ainda a coagiu a dar falso testemunho

Por Da Redação 19 dez 2013, 08h44

O promotor do distrito sul de Nova York, encarregado da detenção da vice-cônsul da Índia Devyani Khobragade, lembrou nesta quarta-feira que, apesar do escândalo suscitado pelo tratamento dado à diplomata, a verdadeira vítima era sua doméstica, também de nacionalidade indiana, que era objeto de exploração trabalhista. Preet Bharara, promotor que por coincidência também é indiano, criticou a “desinformação” propagada sobre o caso, que provocou grande repercussão na Índia pelo tratamento recebido pela diplomata.

A vice-cônsul, de 39 anos, foi presa na última quinta-feira pela polícia nova-iorquina após mentir na tramitação de um visto para que uma empregada sua residisse nos Estados Unidos. Bharara lembrou que Devyani “tentou claramente burlar a lei americana de proteção aos empregados domésticos de exploração por parte de diplomatas e oficiais consulares”. Ele disse ainda que a diplomata “obrigou a vítima e seu cônjuge a fazerem falso testemunho em documentos”, violando a lei americana. “Por que é mais escandaloso o suposto tratamento dado a uma cidadã indiana acusada de cometer esses atos, mas não se levanta a voz pelo tratamento da vítima indiana e de seu cônjuge?” – questionou o promotor.

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A empregada doméstica, que também atuava como babá para a diplomata, recebia “muito menos que o salário mínimo” dos Estados Unidos, apesar de trabalhar por mais de 40 horas semanais, acima do permitido em sua solicitação de visto, e estar submissa a um segundo contrato não declarado no qual omitia toda referência aos direitos do trabalhador. Apesar da promotoria não ter sido responsável pela prisão de Devyani, ele desmentiu que a diplomata tivesse sido algemada ou detida diante de sua família e que foi tratada “com muita mais cortesia que outros detidos”.

Devyani denunciou ao governo indiano que, apesar reivindicar sua imunidade diplomática, os agentes que realizaram sua detenção a submeteram a “indignidades” como algemá-la, revistá-la, inclusive em suas partes íntimas, e prendê-la em “uma cela com criminosos comuns e drogados”. Segundo o promotor Bharara, a revista foi realizada em um ambiente privado por uma agente e é “uma prática padrão para todos os presos, rico ou pobre, americano ou não, para garantir que não vão introduzir na prisão nada que possa ser usado para agredir, inclusive a si mesmo”.

Após pagar fiança de 250.000 dólares, a diplomata Devyani Khobragade refugiou-se na representação indiana na sede das Nações Unidas, em Nova York. Por causa de tratados internacionais, a legislação americana não tem jurisprudência dentro do edifício da ONU. A Índia declarou que gostaria de tirar Devyani dos EUA, mas teme que ela seja novamente presa assim que deixar a representação diplomática, acusada de tentativa de fuga do país.

A tensão por este caso não tem precedentes nas relações entre Washington e Nova Délhi desde que os EUA começaram a privilegiar, nos anos 1990, sua relação com a Índia, após décadas priorizando as relações com o Paquistão, o maior rival regional dos indianos.

(Com agência EFE)

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