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Procuram-se imperadores: Japão altera regras da sucessão diante da encolhida família real

Mulheres, porém, ainda não poderão sentar no trono

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jul 2026, 10h16 | Atualizado em 17 jul 2026, 22h39
Procuram-se imperadores: Japão altera regras da sucessão diante da encolhida família real Priorizar nos meus resultados Google

O Parlamento do Japão aprovou nesta sexta-feira, 17, uma série de reformas nas regras da família imperial para tentar enfrentar a redução do número de integrantes da monarquia. Apesar das mudanças, a legislação preserva a proibição de mulheres herdarem o Trono do Crisântemo, mantendo de fora da linha sucessória a princesa Aiko, única filha do imperador Naruhito.

O projeto foi aprovado pela Câmara Alta após receber aval da Câmara Baixa na semana passada e agora seguirá para os trâmites finais antes de entrar em vigor. Trata-se da primeira alteração no texto principal da Lei da Casa Imperial desde 1949 e da maior reforma do sistema imperial japonês em décadas.

Entre as mudanças, a nova legislação autoriza a reintegração de parentes homens distantes com mais de 15 anos e solteiros, pertencentes a 11 antigos ramos da família imperial que perderam esse status após a Segunda Guerra Mundial. Os futuros filhos desses homens também poderão integrar a linha sucessória.

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Outra novidade é que mulheres agora podem manter o status imperial mesmo após se casarem com um plebeu, algo que já era permitido aos homens. Seus filhos, no entanto, continuarão impedidos de herdar o trono.

A reforma busca ampliar o número de membros da família imperial aptos a cumprir funções oficiais, como cerimônias e compromissos públicos, diante do encolhimento da monarquia. Atualmente, a família imperial conta com apenas 16 integrantes, dos quais cinco são homens.

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Linhagem masculina

Mesmo com as alterações, a sucessão permanece restrita à linhagem masculina. O primeiro na fila é o príncipe Fumihito, de 60 anos, irmão mais novo do imperador. Em seguida está seu filho, o príncipe Hisahito, de 19 anos, atualmente estudante de biologia. O terceiro e último sucessor elegível é o tio do imperador, de 90 anos. Caso Hisahito não tenha um filho homem, a linha sucessória se encerrará pelas regras atuais.

Embora o Japão tenha tido oito imperatrizes ao longo de sua história, uma lei de 1889 estabeleceu que apenas homens poderiam assumir o trono por descendência paterna. A regra foi mantida na atual Lei da Casa Imperial, promulgada em 1947.

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A decisão do Parlamento contrasta com a opinião da maioria da população. Uma pesquisa realizada em junho pelo jornal Mainichi Shimbun apontou um amplo apoio à possibilidade de uma mulher ocupar o trono, com mais de 70% dos entrevistados defendendo uma imperatriz. Outra pesquisa, da agência Kyodo News, indicou apoio de 83% à liderança feminina.

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A primeira-ministra Sanae Takaichi e outros líderes conservadores, no entanto, defendem a manutenção da sucessão exclusivamente masculina, argumentando que ela é essencial para preservar a legitimidade da monarquia. 

O Japão tem a monarquia hereditária contínua mais antiga do mundo, com uma linhagem que acredita-se se estender por mais de 2.600 anos.

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