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Procuradoria do Equador pede 7 anos de prisão para ex-presidente Correa

Rafael Correa é julgado pelo suposto financiamento de sua campanha eleitoral de 2013 por empresas privadas em troca de contratos com o Estado

Por AFP - 6 mar 2020, 15h11

A Procuradoria-Geral do Equador recomendou nesta quinta-feira 5 que o ex-presidente Rafael Correa deve ser condenado a até sete anos de prisão pelo suposto financiamento de sua campanha eleitoral de 2013 por empresas privadas em troca de contratos com o Estado.

Correa, que foi presidente por uma década até 2017, e outros 19 processados — que incluem o ex-vice-presidente Jorge Glas, ex-ministros, ex-deputados e empresários — enfrentam a possibilidade de penas de cinco a sete anos de prisão caso sejam considerados culpados.

Glas cumpre uma pena de seis anos de prisão por receber propinas da empreiteira brasileira Odebrecht. A Procuradoria também pediu uma indenização para o Estado de 1,13 bilhão de dólares.

“Solicitamos uma uma reparação integral para o Estado e que consiste na somatória total da concessão de contratos, que supera a quantia de 1 bilhão de dólares”, declarou a procuradora-geral do Equador, Diana Salazar.

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Salazar acrescentou que os empresários envolvidos no caso teriam pago às autoridades públicas quase 7 milhões de dólares em subornos para obter contratos. O Ministério Público não indiciou a Odebrecht, apesar de a empresa ter sido mencionada na investigação jornalística do portal de notícias La Fuente, que deu origem ao caso.

O ex-presidente Correa, que mora na Bélgica desde que deixou o poder em 2017, foi vinculado ao caso por um depósito de 6.000 dólares que uma pessoa que trabalhava com sua ex-assessora fez em sua conta pessoal. O ex-governante alega que era dinheiro de um empréstimo.

Uma condenação contra Correa representaria o fim de sua carreira política, pois a Constituição equatoriana impede a candidatura de pessoas condenadas por suborno, enriquecimento ilícito ou peculato a cargos públicos. Embora ele não possa mais concorrer à Presidência devido ao limite de mandatos, ele ainda é elegível ao Congresso.

Este é o segundo julgamento contra o ex-presidente. O primeiro corresponde ao suposto sequestro de um opositor em 2012. Este processo, no entanto, está suspenso porque a Justiça exige a presença de Correa nas audiências no Equador para o julgamento.

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