Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Procurador-geral da República pede prisão de 36 réus do mensalão

Por Da Redação
3 ago 2012, 22h11

Eduardo Davis

Brasília, 3 ago (EFE).- O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta sexta-feira que há ‘provas contundentes’ contra 36 dos 38 réus do julgamento do mensalão e que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, era o líder do esquema de corrupção.

Gurgel foi o único orador da segunda sessão no Supremo Tribunal Federal do julgamento dos envolvidos em ampla rede de subornos de parlamentares e financiamento ilegal de campanha tecida durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O procurador reiterou que a análise dos documentos requestados nesse período não deixa dúvidas que entre 2002 e 2005 foi operado o ‘mais ousado e escandaloso esquema de corrupção e desvio de dinheiro público já descoberto no Brasil’.

Durante cinco horas, Gurgel detalhou a trama do que definiu como ‘bando de profissionais do crime’ e assegurou que o ‘chefe da quadrilha’ era Dirceu, um dos homens confiança de Lula.

Segundo o procurador, Dirceu ‘projetou e dirigiu’ pessoalmente o esquema de arrecadação ilegal de recursos públicos e privados que financiou campanhas políticas do PT e de outros quatro partidos.

Continua após a publicidade

‘José Dirceu foi o mentor da ação do grupo e seu principal protagonista. Nada acontecia sem o consentimento’ do petista, declarou Gurgel perante o plenário do STF.

‘A ascendência de Dirceu sobre todos os outros acusados foi plenamente comprovada’, acrescentou, sustentando que o então ‘homem forte’ do governo Lula dirigia ‘todo o esquema’ de seu escritório no Palácio do Planalto.

‘Como se poderia imaginar que tudo isso ocorria dentro do palácio presidencial e que as reuniões da quadrilha aconteciam a poucos metros do gabinete do presidente da República? Isso era o mais seguro e tornava quase impossível obter provas’, continuou Gurgel.

As provas, que segundo o procurador constam em um documento com mais de 50 mil páginas que seu escritório entregou ao STF, foram conseguidas por meio da análise cruzada de informações bancárias dos acusados, de créditos obtidos de forma ilegal pelo PT e de contratos outorgados por empresas públicas a vários envolvidos.

O dinheiro desses créditos e contratos acabava nas mãos do PT, que depois o usava para subornar deputados ‘sempre às vésperas de alguma votação importante para o governo’ de Lula, que tinha assumido em 2003 sem maioria parlamentar, lembrou Gurgel.

Continua após a publicidade

O procurador ressaltou que, segundo ‘centenas’ de depoimentos que foram recolhidos durante a investigação, o mensalão chegava aos beneficiados em dinheiro e ‘muitas vezes’ era entregue dentro de malas e em quartos de hotéis de Brasília.

Também revelou que, em algumas ocasiões, a ‘quadrilha’ contratou empresas de transportes que usavam até caminhões blindados para transferir o dinheiro.

Gurgel disse que para 36 dos 38 acusados a Procuradoria pede uma pena ‘proporcional à enorme gravidade dos crimes’ e solicita, além disso, ‘a absolvição’ do ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Luiz Gushiken, e de Antonio Lamas, na época dirigente do extinto PL, ambos por falta de provas.

Em tom emotivo, o procurador concluiu sua apresentação com um verso da música ‘Vai Passar’, de Chico Buarque, que, em sua opinião, é uma metáfora sob medida para o que ocorreu: ‘Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações’.

A próxima sessão do julgamento, que durará cerca de um mês, será realizada na próxima segunda-feira, quando começarão a ser escutados os advogados dos 38 acusados. EFE

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.