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Príncipe William inicia sua missão nas Malvinas

O príncipe William iniciou sua missão como piloto de helicóptero nas Malvinas, informou neste sábado o ministério britânico da Defesa, em um comunicado, uma operação que tem provocado irritação nas autoridades argentinas.

“O tenente Wales (seu nome oficial como militar) começou sua missão como piloto de busca e resgate na RAF nas ilhas Falkand com operações de SAR (busca e resgate) para a população civil e militar”, informou o ministério em um comunicado.

O piloto de helicópteros de 29 anos, segundo na linha de sucessão ao trono britânico, foi enviado às ilhas do Atlântico Sul como parte de um exercício de rotina da RAF (Royal Air Force, força aérea britânica).

Filho mais velho do herdeiro da coroa britânica, o príncipe Charles de Gales, William chegou na quinta-feira ao arquipélago.

Mas a missão de seis semanas nas ilhas Falkland, como as chamam os britânicos, irritou as autoridades argentinas, para as quais as ilhas são território argentino ocupado, e consideraram a presença do príncipe William uma “provocação”.

O ministro de Defesa argentino, Arturo Puricelli, qualificou neste sábado de “ostentação desnecessária de poder de fogo”, a intenção da Grã-Bretanha de mobilizar um submarino nuclear às Ilhas Malvinas (Falklands para os ingleses).

“Me parece uma ostentação desnecessária de poder de fogo. Poderíamos dizer a ele (aos britânicos) que poderiam ter economizado milhares de libras” não enviando o navio, afirmou Puricelli depois de chegar com a fragata Libertad – navio-escola da Armada- ao porto de Buenos Aires.

O governo britânico tem em mente enviar um destróier para as Ilhas Malvinas na mesma época em que William realiza o que as autoridades denominam de uma ação de “rotina” para um piloto das forças aéreas.

O ministro argentino Puricelli disse que se a tripulação que acompanhou o príncipe William tivesse tido algum problema, “a Marinha argentina teria auxiliado”.

O titular da pasta da Defesa afirmou que a intenção da Casa Rosada é “retirar todo conteúdo bélico” da disputa pela soberania sobre as ilhas.

“Eles (Reino Unido) querem militarizar o Atlântico sul. Nós dissemos que a Argentina e a América do Sul não querem militarizá-lo, não queremos que se contamine; queremos que o litoral marítimo do Atlântico Sul seja cuidado e protegido pela Armada Argentina”, disse.

Puricelli declarou, além disso, que não resta “a menor dúvida” que a Argentina recuperará as ilhas Malvinas antes do fim do século, levando em conta o acompanhamento da comunidade internacional.

Nesse sentido acrescentou que “eles (os britânicos) sabem que não há nenhuma justificativa para manter a usurpação, já que muito antes do final deste século a Argentina terá a jurisdição plena e a posse” das ilhas.

“A ocupação por parte do Reino Unido das ilhas Malvinas é sustentada pela força. Começou com um navio de guerra que desalojou autoridades e a população argentina das ilhas Malvinas em 1833. Indubitavelmente continuam sustentando essa ocupação da mesma maneira”, explicou Puricelli.

A chegada de William às ilhas elevou a tensão entre Grã-Bretanha e Argentina às vésperas do aniversário do conflito de 1982.

Em 2 de abril próximo completam-se 30 anos do conflito de 74 dias entre a Argentina e o Reino Unido, que custou a vida de 255 britânicos e 649 argentinos, e terminou em 14 de junho do mesmo ano, com a rendição das tropas do país sul-americano, na época chefiado por uma ditadura militar.

O chanceler argentino Héctor Timerman receberá este domingo na Venezuela o respaldo de países integrantes da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) a alegação de soberania sobre as ilhas Malvinas.