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Príncipe herdeiro saudita é acusado de tentativa de assassinato no Canadá

Alvo teria sido Saad al-Jabri, ex-autoridade da Arábia Saudita que teria 'informações comprometedoras' sobre Mohammed bin Salman

Por Da Redação - 6 ago 2020, 19h50

Um proeminente ex-conselheiro do governo da Arábia Saúdita acusou nesta quinta-feira, 6, o líder de facto do país, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, de ter encomendado seu assassinato em 2018. Saad al-Jabri está há cerca de quatro anos exilado no Canadá após a ascensão ao poder de MBS, como o príncipe é conhecido.

“Uma equipe de cidadãos sauditas atravessou o Oceano Atlântico vindos da Arábia Saudita com a intenção de matar al-Jabri”, afirma a acusação. O documento faz parte de um processo que al-Jabri move nos Estados Unidos contra MBS. A embaixada saudita em Washington ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Segundo al-Jabri, os assassinos “tentaram entrar secretamente no Canadá, viajando com vistos de turista” e fingindo que não se conheciam até serem barrados por guardas canadenses ainda no Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto. Eles estavam com dois sacos de ferramentas forenses. Um deles sabia como limpar as cenas de um crime, de acordo com o processo.

A equipe teria sido composta por membros de um grupo próximo a MBS chamado Esquadrão do Tigre. Esse grupo também é acusado de envolvimento no assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul, na Turquia, também em 2018.

Al-Jabri, que se descreveu como um aliado de longa data dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, disse que entrou com o processo nos Estados Unidos porque a suposta conspiração contra ele “envolvia conduta substancial dentro dos Estados Unidos”. Nenhuma das provas apresentadas pelo ex-ministro foi verificada de maneira independente. Segundo o jornal americano The New York Times, o saudita apresentou “evidências escassas para sustentar sua acusação”.

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Saad al-Jabri

Al-Jabri foi assessor de longa data do príncipe Mohammed bin Nayef, figura proeminente da Casa de Saud, a dinastia fundadora da Arábia Saudita. Bin Nayef, como ministro do Interior entre 2012 e 2017, é creditado por uma campanha de repressão às células da al-Qaeda no país.

Entre 2015 e 2017, Nayef chegou a ser o príncipe herdeiro, primeiro na linha de sucessão ao trono, que naquele momento e até então é ocupado pelo rei Salman. Em um golpe político em junho de 2017, MBS, que é primo de Nayef, assumiu seu lugar como herdeiro e o destituiu do Ministério do Interior.

Desde então, MBS concentra o poder da ditadura saudita e é o líder de facto do país.

Nesse contexto, al-Jabri fugiu da Arábia Saudita para o Canadá. O exilado alega no processo ter “informações comprometedoras” sobre o herdeiro.

Segundo a família de al-Jabri, MBS já deteve dois de seus filhos adultos e seu irmão para tentar forçar o retorno do ex-conselheiro.

(Com Reuters)

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