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Príncipe herdeiro promete uma Arábia Saudita mais ‘tolerante’

Para o herdeiro do reino, Mohammad bin Salman, o Estado ultraconservador instalado nos últimos 30 anos é “anormal”

Por EFE - Atualizado em 25 out 2017, 18h23 - Publicado em 25 out 2017, 16h39

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, afirmou na terça-feira que seu país começou um processo para retornar a um “islã moderado e aberto ao mundo e às religiões”. Em um discurso durante uma conferência econômica na qual cerca de 2.500 investidores – entre eles estrangeiros – estavam reunidos em Riad, o príncipe prometeu também acabar com o extremismo.

“Voltemos ao que éramos antes, um país islâmico moderado, tolerante, aberto ao mundo e a todas as outras religiões”, declarou Salman. “Não vamos perder outros trinta anos lidando com ideias extremistas. Queremos conviver com o mundo e acabar com o extremismo.”

O príncipe de 32 anos fez alusão à invasão e tomada da Grande Mesquita de Meca, em 1979, por grupos extremistas islâmicos, já que desde essa data a Arábia Saudita abandonou o islã “moderado”.

Além disso, Salman falou do lançamento do megaprojeto para a construção de uma cidade junto às fronteiras com o Egito e a Jordânia, batizado como NEOM, que contará com um financiamento de 500 bilhões de dólares. “Vamos construir algo maior que a Grande Muralha da China, mas com painéis solares. Haverá mais robôs do que pessoas”, afirmou.

O NEOM se estenderá por uma área de 26.500 quilômetros quadrados, junto ao mar Vermelho e ao golfo de Áqaba e será o ponto de onde partirá a futura ponte Rei Salman, que unirá a Arábia Saudita à península egípcia do Sinai.

Estado “anormal”

Em entrevista exclusiva ao jornal britânico The Guardian após a conferência, Salman também falou sobre a necessidade de mudança de postura da Arábia Saudita em direção à uma sociedade islâmica mais moderada. Segundo ele, o Estado ultraconservador instalada nos últimos trinta anos é “anormal”.

“Após a revolução iraniana em 1979, as pessoas queriam copiar esse modelo em diferentes países. Um deles foi a Arábia Saudita. Nós não sabíamos como lidar com isso. E o problema se espalhou por todo o mundo. Agora é a hora de se livrar disso”, disse.

Os comentários feitos pelo príncipe herdeiro são os mais enfáticos desde a instalação do programa de reforma de seis meses de duração no país. As medidas apresentaram reformas culturais e incentivos econômicos inimagináveis nas últimas décadas, pelos quais o reino foi acusado de promover uma sociedade islâmica que apoia o extremismo.

O príncipe herdeiro é um dos principais responsáveis pelas reformas. Entre as medidas está a ordem emitida pelo rei Salman bin Abdulaziz que permite às mulheres dirigir, algo que até agora era rigorosamente proibido.

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