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Principal suspeito de vazar informações é transferido para os EUA

Bradley Manning permanecerá preso até o fim das investigações

O Exército americano divulgou um comunicado nesta sexta-feira informando que Bradley Manning – suspeito de ser o responsável pelo vazamento de arquivos secretos da guerra – permanecerá preso enquanto é feita uma investigação para determinar se ele deve enfrentar julgamento militar. Ele foi transferido do Kuwait para uma brigada do Corpo de Fuzileiros Navais, no estado da Virgínia (EUA). Manning, de 22 anos, serviu como analista de inteligência no Iraque.

Na úlima quarta-feira, um alto funcionário do Pentágono disse que Manning tinha acesso a um sistema para download de documentos e a todas as esferas militares na internet. Julian Assange, fundador do Wikileaks, afirma não saber quem enviou para a organização os milhares de documentos referentes às ações do Exército dos Estados Unidos no Afeganistão.

O Pentágono criticou com veemência a divulgação desses arquivos secretos, afirmando que ameaçava informantes afegãos e os trabalhos de informação nesse país. “É de se esperar que queiram distrair as pessoas de suas responsabilidades nesta questão”, respondeu Assange ao jornal El País.

O presidente americano Barack Obama se declarou “preocupado” com um vazamento como este, capaz de “ameaçar pessoas ou operações”. O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que vidas estão em perigo. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, Mike Mullen, afirmou: “Assange pode dizer o que quiser sobre o bem maior que pensa que ele e sua fonte estão fazendo, mas a verdade é que já pode ter em suas mãos o sangue de algum jovem soldado ou de uma família afegã.”

Documentos – Um arquivo de seis anos de documentos militares reservados veio a público no domingo, oferecendo uma imagem sem adornos da guerra do Afeganistão que em muitos aspectos é mais sombrio que o retrato oficial. A Wikileaks, uma organização que se dedica a denunciar más práticas na internet, publicou em seu site a maior parte dos arquivos secretos, sob o título “Diário da Guerra Afegã”. Os relatórios abrangem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009 e mostram em detalhes por que, depois de os Estados Unidos terem gasto quase 300 bilhões de dólares na guerra no Afeganistão, o talibã está mais forte do que em qualquer momento desde 2001.