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Primeiro-ministro turco acusa França de ter cometido genocídio na Argélia

Istambul, 23 dez (EFE).- O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta sexta-feira a França de ter cometido um genocídio na Argélia durante a ocupação colonial do país norte-africano.

‘O que França fez na Argélia foi um genocídio, e se (o presidente francês) Sarkozy não sabe, deveria ir perguntar a seu pai’, afirmou Erdogan em outro ataque a Paris, após a aprovação de uma lei no Parlamento francês que obriga a considerar como genocídio os massacres de armênios no Império Otomano.

O primeiro-ministro considerou que ‘a partir de 1945, por volta de 15% da população argelina foi massacrada pelos franceses’, e acrescentou que o pai de Sarkozy lutou como soldado francês na Argélia nos anos 1940.

‘Tenho certeza que ele tem muito a dizer a seu filho sobre estes massacres’, declarou o líder turco, durante seu discurso em uma conferência em Istambul sobre a evolução da mulher nas sociedades muçulmanas.

O dirigente turco insistiu na história pessoal do presidente francês e afirmou que ‘os antepassados de Sarkozy fugiram da Espanha e se refugiaram no Império Otomano’. ‘Se Sarkozy olhar a história de sua própria família, não verá outra coisa além de ajuda e boa vontade da Turquia e dos turcos’.

Erdogan ressaltou que suas palavras não se dirigem contra o povo francês, mas contra ‘a administração, que se comporta de uma maneira discriminatória e racista’.

O chefe do Estado turco acusou o governante francês de usar a islamofobia e a turcofobia para ganhar votos nas próximas eleições.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, também condenou a lei com veemência e declarou que ‘os políticos franceses que tomaram esta decisão não são diferentes de (Bashar Al) Assad e (Muammar) Kadafi’.

‘Os ditadores do Oriente Médio também impõem a seus povos o que é correto e o que devem pensar, e isto é o que ocorre na França’, afirmou o chefe da diplomacia turca, segundo a agência ‘Anadolu’.

A Turquia suspendeu na quinta as relações políticas e militares com a França em resposta à aprovação da lei, que castiga com pena de prisão e uma alta multa a negação do massacre de armênios pelo Império Otomano, em 1915, por considerá-lo um genocídio. EFE