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‘Primeiro falaram que era um transformador. Depois, bomba’, diz brasileira

Alice Ferreira Souza, de 35 anos, estava a passeio com o marido em Colombo, no Sri Lanka. Série de atentados antecipou volta para casa

Eram oito horas da manhã, em Colombo, capital do Sri Lanka, quando a brasileira Alice Ferreira Souza, 35 anos, e o marido, Gustavo Mendes, 37, ouviram o barulho de sirenes de ambulâncias e de carros de polícia. Eles haviam acabado de chegar da Arábia Saudita, onde moram, e tomavam café da manhã em um hotel — os primeiros momentos de uma viagem curta, de dois dias de passeio. Naquele momento, a movimentação não parecia atípica, e Alice e Gustavo decidiram ir a pé até a mesquita de Red Masjid. No caminho, começaram a ouvir relatos de de quem estava na rua: “Primeiro disseram ser uma explosão em um transformador, mas logo depois começaram os comentários de que havia sido uma bomba”, conta Alice.

Logo foi confirmada a notícia de uma explosão no hotel Cinnamon, perto de onde eles estavam. O local foi um dos oito alvos escolhidos por terroristas nos ataques que aconteceram neste domingo, 21, no país. Até o momento, 215 pessoas morreram e 469 ficaram feridas, de acordo com o jornal The Times of India. Treze suspeitos foram presos.

Quando o casal chegou na porta do Cinnamon já havia um cordão de isolamento. Bombeiros e algumas pessoas ajudavam a levar corpos para as ambulâncias. O tumulto era grande, pois, além das vítimas e socorristas, havia também muitos curiosos, filmando e fotografando.

Hotel Cinnamon, em Colombo, no Sri Lanka, logo após atentado terrorista

Hotel Cinnamon, em Colombo, no Sri Lanka, logo após atentado terrorista (Alice Souza/Reprodução)

Alice e Gustavo seguiram a pé e, no caminho, se depararam com mais dois hotéis atingidos: Shangri-La e Kingsbury. Em um restaurante próximo foram informados de que todos os estabelecimentos estavam fechando as portas. Após os ataques, o governo decretou estado de emergência, impôs um toque de recolher em todo o país – das 18h às 6h de segunda-feira, no horário local – e suspendeu as redes sociais, por considerá-las vulneráveis à divulgação de fake news que possam levar a população ao pânico.

Ali, o casal decidiu antecipar a volta para a Arábia Saudita. “Naquele momento já não conseguimos mais táxis e tivemos que pegar um tuk-tuk para seguir para o aeroporto”, diz Alice. No trajeto, que demorou mais de uma hora, receberam a notícia da explosão de uma igreja e ficaram ainda mais apreensivos. “Nós só conseguimos ultrapassar a barreira da polícia, no aeroporto, porque estávamos de tuk-tuk. Todos os carros eram parados e revistados”, conta.

“Minha preocupação era avisar à minha mãe, no Brasil, que eu estava bem. Tive que usar a rede de internet do aeroporto para falar com ela.”

Alice se deparou com um aeroporto lotado de turistas querendo deixar o país. Durante o embarque, ela afirma que todos os passageiros foram revistados com bastante rigor. Às 18h30, horário local, Alice e o marido deixaram o país, em direção ao Bahrein. De lá, seguiram de carro para a Arábia Saudita, onde se encontram em segurança.