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Primavera Árabe terá destaque durante encontro do G8

Temas como energia nuclear e questão palestina também estarão em pauta

O sucesso de países como Tunísia e Egito em sua transição para a democracia é um problema que atrai atenções no mundo todo. Essa convicção vai colocar o debate sobre uma possível ajuda econômica aos pioneiros da Primavera Árabe no centro da cúpula do G8, que ocorrerá nestas quinta e sexta-feira, em Deauville, noroeste da França. As grandes potências temem que um cenário de instabilidade pós-revolução abra caminho a grupos extremistas, que pretendam instaurar nestes países regimes fundamentalistas ainda mais nocivos à população e ao mundo do que as ditaduras derrubadas pelos protestos.

Contudo, em um semestre extremamente agitado, outros temas devem se impor à cúpula, seja no plenário ou nos bastidores. Um exemplo é a energia nuclear, que vem sendo questionada desde a crise na usina de Fukushima, no Japão. Ou a questão palestina, que voltou aos holofotes internacionais desde o discurso do presidente americano, Barack Obama, defendendo a criação de um estado palestino com base nas fronteiras que existiam antes de 1967 – anterior à Guerra dos Seis Dias. Consulte o quadro no final desta página para mais detalhes sobre os temas em discussão.

Quem é o G8 – Desde 1975, um grupo de chefes de estado e diplomatas das mais ricas e industrializadas nações democráticas do mundo se reúne todos os anos para discutir grandes questões econômicas e políticas. Integram o G8 a França, os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a Alemanha, a Itália, o Japão, o Canadá e a Rússia. Enquanto os seis primeiros participaram de todos os encontros desde 1975, o Canadá juntou-se aos demais no ano seguinte. Já a Rússia foi formalmente admitida apenas em 2006, quando sediou a primeira assembleia do G8 em seu território.

Embora sempre entrem na pauta uma série de preocupações domésticas de cada integrante, boa parte do debate é marcada por temas que dizem respeito à comunidade internacional como um todo. Com a globalização, observada especialmente a partir de meados dos anos 90, estas reuniões ganharam cada vez mais importância. Os encontros atraem os olhos de toda a imprensa mundial, bem como um considerável número de manifestações contrárias às ações das grandes potências.

Discussões recentes – Contudo, nem sempre os encontros terminam com decisões claras. Muitas vezes, as reuniões são marcadas por divergências e a declaração final é instatisfatória. Em 2007, por exemplo, a cúpula realizada na Alemanha foi marcada pelas discussões sobre questões ambientais. As potências concordaram que era necessário reduzir as emissões de gases do efeito estufa, mas não fixaram metas.

Em 2006, quando a reunião ocorreu na Rússia, o grupo focou suas atenções sobre o conflito no Oriente Médio, cobrando moderação de israelenses e palestinos – algo que até hoje não se vê. No ano anterior, na Escócia, o G8 prometeu 50 bilhões de dólares à África para combater a pobreza e o fim dos subsídios agrícolas – sem fixar metas, também não houve avanços essenciais. Em meio às explosões no metrô de Londres ocorridas naquele ano, o terrorismo também esteve no centro da pauta.

Já no encontro de 2004, realizado nos Estados Unidos, o Oriente Médio também foi assunto, assim como a guerra do Iraque – houve troca de farpas entre o então presidente francês Jacques Chirac e o americano George W. Bush. Um racha também ocorreu em 2003, na França, pouco depois de os americanos invadirem o país governado por Saddam Hussein. Na ocasião, EUA e Grã Bretanha foram rechaçados por Alemanha, França e Rússia.

Quem e quando – Neste ano, devem comparecer ao encontro Obama, Stephen Harper, premiê do Canadá; Nicolas Sarkozy, presidente da França; Angela Merkel, chanceler da Alemanha; Silvio Berlusconi, premiê da Itália; Naoto Kan, primeiro-ministro do Japão; Jose Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia; Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu; David Cameron, premiê da Grã Bretanha; e Dmitri Medvedev, presidente da Rússia. A reunião começa às 12h45 (7h45, em Brasília) de quinta-feira e segue até às 14h15 de sexta. Em um momento muito esperado do encontro, líderes de delegações do Egito e Tunísia devem discutir com os membros do G8 às 10h de sexta-feira. Também representantes de países africanos terão uma sessão exclusiva neste dia, às 11h15. O evento deve ser encerrado com uma entrevista coletiva do presidente francês Nicolas Sarkozy.

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(Com agência France-Presse)