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Primárias enterram sonho de reeleição infinita de Cristina

Resultado das primárias mostra que kirchnerismo perdeu 4 milhões de votos

Como seus próprios aliados admitiram na segunda-feira, após as primárias de domingo, que confirmaram o forte retrocesso eleitoral do governo no país, foi por água abaixo o plano“Cristina eterna”, ou a pretensão da presidente Cristina Kirchner de se reeleger “infinitamente”. Em apenas dois anos, o kirchnerismo perdeu quase quatro milhões de votos na Argentina, informou o jornal Clarín nesta terça-feira. Como a derrota deve se repetir nas eleições parlamentares de outubro, Cristina não conseguirá maioria simples na Câmara de Deputados nem no Senado, o que a impedirá de mudar a Constituição e tentar novos mandatos.

“Ficou claro, definitivamente, que não haverá chances de mudança constitucional para permitir uma segunda reeleição”, disse na segunda-feira o candidato a deputado kirchnerista Ricardo Foster.

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Os deputados aliados do governo de Cristina Kirchner obtiveram, somados, 6,8 milhões de votos, pouco menos de 30% do total. A oposição conseguiu 25,7% dos votos, e os socialistas e radicais, quase 24%. Em 2011, a Frente para a Vitória, o partido de Cristina, havia alcançado 52% dos votos para deputados federais, ou seja, 10,7 milhões de votos. Comparando as duas eleições, o kirchnerismo perdeu 3,9 milhões de votos, na pior derrota eleitoral em uma década para o governo.

A metade desses votos foi perdida na província de Buenos Aires, que aglutina quase 38% do eleitorado nacional, mas o governo também caiu em treze dos 24 distritos eleitorais do país. Cristina perdeu votos até mesmo no reduto kirchnerista de Santa Fé. Além disso, foi a primeira vez em 22 anos que o kircherismo perdeu uma eleição em outro reduto, o de Santa Cruz.

O governo de Cristina sentiu com pesar sua pior derrota em dez anos – um resultado que não era esperado nem mesmo em suas piores projeções, de acordo com o jornal La Nación. Na noite de segunda-feira, à espera dos resultados, Cristina se isolou em uma suíte com seus filhos, Máximo e Florencia, sua irmã Giselle, sua mãe Ofelia e sua cunhada Alicia. Os únicos que podiam entrar na suíte eram os secretários da Presidência Carlos Zanini e Oscar Parrili.

As primárias abertas, impostas por lei em 2009, são celebradas pela segunda vez na Argentina, mas, embora tenham sido criadas para escolher candidatos, nesta ocasião a maioria das forças políticas apresentou um único nome. O resultado serviu para medir a tendência de apoio aos partidos diante das legislativas de 27 de outubro, quando serão renovadas a metade da Câmara de Deputados de 257 assentos e um terço do Senado de 72 integrantes, ambos dominados pela governista Frente para a Vitória (peronistas e aliados).