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PRI do México, o partido que governou por mais tempo na América Latina

O Partido Revolucionário Institucional (PRI) que governou o México por 71 anos, mais do que nenhuma outra organização política na América Latina, recuperou o poder nas eleições deste final de semana depois de 12 anos na oposição.

Acusado durante seu longo governo de corrupção e clientelismo, o PRI impôs no México um regime paternalista, presidencialista, vertical e autoritário, inclusive, continuístas, uma vez que o presidente escolhia seu sucessor.

Com o nome de Partido Nacional Revolucionário, foi criado em 1929 pelo general Plutarco Elías Calles para acabar com as lutas intestinas entre caudilhos e agrupar as vertentes políticas surgidas depois da Revolução de 1910.

Sob o governo presidido por Lázaro Cárdenas (1934-1940), o PRI, que em 1938 assumiu o nome de Partido da Revolução Mexicana (PRM), chegou a ser considerado “socialista” ao nacionalizar a indústria petroleira e impulsionar a reforma agrária.

Graças à demanda de produtos no pós-guerra, o país viveu um crescimento econômico durante mais de duas décadas.

A estabilidade propiciada pelo PRI, que adotou seu nome definitivo em 1946, conseguiu que o México fosse o único país latino-americano sem golpes de Estado e passasse a ser refúgio de exilados, como Fidel Castro.

A estabilidade e a paz interna foram conseguidas através de repressões. Em 1968, um protesto estudantil desembocou na “matança de Tlatelolco”, que oficialmente deixou 40 mortos, apesar de os grupos de direitos humanos calcularem em mais de 200.

Sem permitir oposição política, em seus 70 anos de governo surgiram pequenas guerrilhas, reprimidas com táticas de guerra suja.

A crise da dívida em 1982 e a ineficiência governamental para atender à emergência do terremoto que devastou a capital em 1985 minaram a credibilidade no paternalismo oficial.

Acusado de práticas fraudulentas para perpetuar-se no poder em um sistema eleitoral controlado pelo governo, a imagem do PRI caiu ainda mais nas eleições de 1988, quando foi declarado vencedor seu candidato Carlos Salinas de Gortari depois da falha do sistema de apuração de votos.

Em 1994, é assassinado o candidato do PRI, Luis Donaldo Colosio. Segundo a versão oficial, o crime foi cometido em solitário por um homem misterioso, mas uma das hipóteses apontou para um conflito armado interno do partido.

Naquele ano, depois da assinatura do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, surge o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e o país sofre uma nova crise econômica, que se soma às reclamações de maior democracia.

Em 2000, o PRI sofre uma histórica derrota ante o conservador Partido Ação Nacional (PAN), com Vicente Fox, e em 2006 fica relegado ao terceiro lugar nas eleições também vencidas por este partido, atualmente no poder com Felipe Calderón.