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Prestes a mudar embaixada em Israel, Austrália alerta cidadão sobre viagem

Primeiro-ministro quer apoio de eleitor conservador em 2019, mas reconhece riscos; Bolsonaro insiste em mudança

Por Da Redação Atualizado em 14 dez 2018, 16h10 - Publicado em 14 dez 2018, 15h45

O governo da Austrália recomendou aos seus cidadãos nesta sexta-feira, 14, a tomada de medidas de precaução durante viagens para a vizinha Indonésia, maior país muçulmano no mundo. A advertência foi emitida às vésperas de uma possível mudança da embaixada australiana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, deve anunciar até no máximo sábado, 15, a decisão de seu governo de seguir os passos do presidente americano, Donald Trump, que reconheceu em maio passado a cidade sagrada como capital do Estado de Israel e transferiu para lá embaixada dos Estados Unidos.

Australianos que se preparam para viagens ao Bali e outras ilhas tropicais nos próximos feriados de final de ano devem “exercer um alto nível de cuidado”, alertou o Departamento de Relações Exteriores.

Muitos ainda esperam que Morrison recue em sua decisão, diante dos alertas de seus próprios auxiliares sobre as implicações financeiras e os riscos à segurança para o país. Mas, nos cálculos do primeiro-ministro, reconhecer Jerusalém como capital do Estado israelense o ajudaria nas eleições do próximo ano, sobretudo na aproximação aos eleitores cristãos conservadores e judeus. O apoio da Casa Branca seria outro benefício a seu governo.

A definição do status de Jerusalém é um dos maiores obstáculos a um acordo de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina. Os israelenses reivindicam toda cidade, incluindo a parte leste anexada após a guerra de 1967, como a capital do país. Líderes palestinos, com grande apoio internacional, almejam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado independente e soberano.

Os Estados Unidos deixaram para trás décadas de protocolos políticos e de resoluções das Nações Unidas ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, com a mudança de sua embaixada em 14 de maio. Em protestos que se seguiram, sobretudo em Gaza, pelo menos 64 palestinos foram mortos pelas forças israelenses.

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Dúvida no Brasil

Poucos dias depois de vencer as eleições presidenciais de outubro, Jair Bolsonaro insistiu várias vezes em manter sua promessa de campanha de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parabenizou Bolsonaro e disse estar confiante de que o novo governo “levará a uma grande amizade entre os dois povos e ao fortalecimento dos laços entre o Brasil e Israel”.

Netanyahu confirmou sua presença na cerimônia de posse do novo governante, no dia 1° de janeiro. 

Liga Árabe alertou o Brasil, em uma carta enviada ao Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, para o risco da transferência de embaixada do Brasil. O secretário-geral da Liga, Ahmed Aboul-Gheit, afirmou que a mudança pode prejudicar as relações com os países árabes.

O Egito disparou um sinal bastante sério ao cancelar uma missão empresarial ao Cairo que seria liderada por Nunes Ferreira em novembro. Os países muçulmanos do Oriente Médio importaram 9,6 bilhões de dólares em produtos brasileiros entre janeiro e setembro deste ano. Israel comprou apenas 256 milhões de dólares.

Protestos contra essa possível mudança chegaram ao Itamaraty. Até mesmo nações que não são árabes, muçulmanas nem parte da região do Oriente Médio demonstraram insatisfação com a posição de Bolsonaro. Entre elas, a África do Sul, parceira do Brasil no fórum Ibas.

Um integrante do futuro governo afirmou que a decisão será exclusiva do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Até o momento, o futuro chanceler não deu sinais de que pretenda contrariar seu chefe.

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