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Pressionados por budistas, ministros muçulmanos renunciam no Sri Lanka

O líder do partido que representa a minoria islâmica no país deu um mês para o fim das investigações; até lá, a legenda ficará de fora do governo

Todos os nove ministros muçulmanos do Sri Lanka pediram demissão de seus cargos nesta segunda-feira, 3. Dois governadores tomaram a mesma decisão, segundo a rede de televisão Al Jazeera. Os políticos acusam o governo de não garantir a segurança da minoria muçulmana no país, que teme represálias pelos atentados suicidas que mataram mais de 250 pessoas na Páscoa.

Na manhã desta segunda-feira (horário local), milhares de manifestantes foram às ruas na cidade Kandy, que fica a 115 quilômetros de Colombo, para endossar a pressão contra os políticos muçulmanos. A autoria do atentado, porém, foi assumida pelo Estado Islâmico, grupo extremista refutado pela grande maioria dos muçulmanos.

A decisão veio após monges budistas radicais colocarem um prazo para que o governo do Sri Lanka demitisse dois governadores e um ministro muçulmano sob acusação de que eles estariam envolvidos no atentado.

Entre os monges budistas que convocaram os protestos está Galagoda Aththe Gnanasara Thero, que foi preso e acusado de incitar crimes de ódio contra a comunidade islâmica. Ele foi solto no mês passado, beneficiado por um indulto presidencial.

Temendo que a situação piore, Rauff Hakeem, líder do partido Congresso Muçulmano do Sri Lanka e ex-ministro do Planejamento, disse à Al Jazeera estar disposto a renunciar em favor da segurança da  comunidade muçulmana.

À imprensa, Hakeem disse que todos os que representam a minoria islâmica no país renunciarão aos ministérios e que a comunidade estava pagando um preço muito alto pelos crimes de alguns indivíduos, mesmo que colabore com as investigações.

A sigla continuará atuando no parlamento e apoiando o governo, mas deu um prazo de um mês para a conclusão das investigações. “Até lá, nós não vamos fazer parte do governo”, afirmou Hakeem.

Três semanas atrás, budistas radicais foram acusados de atacar casas e muçulmanos, destruindo suas propriedades e matando ao menos uma pessoa em represália ao atentado na Páscoa.