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Pressionadas por governo, Farc libertam general e 2 reféns

Presidente Juan Manuel Santos havia condicionado retomada de negociações de paz ao fim do sequestro do general Rubén Alzate e seus acompanhantes

Por Da Redação - 30 nov 2014, 13h53

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram neste domingo um general do Exército colombiano e outros dois reféns cujo sequestro tinha levado o presidente Juan Manuel Santos a suspender as negociações de paz com o principal grupo narcoguerrilheiro do país. O general Rubén Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego, sequestrados em 16 de novembro no departamento de Chocó, noroeste da Colômbia, foram entregues a uma missão humanitária liderada pela Cruz Vermelha Internacional e levados para uma unidade militar.

Em uma mensagem postada no Twitter, Juan Manuel Santos declarou que o general Alzate e as outras duas pessoas capturadas pelas Farc estão “em perfeitas condições” e aguardavam a melhora das condições climáticas na região para se reunirem com suas famílias.

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Santos havia condicionado a retomada das negociações de paz em curso em Cuba ao retorno seguro do general, um especialista em contrainsurgência treinado nos Estados Unidos. Alzate e seus companheiros foram sequestrados enquanto viajavam por uma região remota no departamento de Chocó. Ele foi o oficial militar de maior patente já capturado pelas Farc em 50 anos de luta insurgente.

Agora libertado, Alzate terá que responder a perguntas sobre por que ele aparentemente violou o protocolo militar e se aventurou em território dominado por rebeldes vestido como um civil e sem os requisitos de segurança quando foi levado. O general foi retido com o cabo Rodríguez, seu assistente, e a advogada Gloria Urrego, assessora de projetos especiais do Exército, durante um deslocamento à paisana, sem escolta, perto da capital regional Quibdó.

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Negociações – O governo e as Farc vinham negociando os pontos finais de um acordo destinado a acabar com os 50 anos de conflito que já custou mais de 220.000 vidas. Analistas têm dito que o retorno do general seria um sinal de que as Farc estão seriamente buscando um acordo.

As negociações de paz tiveram início há dois anos, sem que as Farc se comprometessem a abandonar as armas ou abrissem mão de sequestrar policiais ou militares, considerados “prisioneiros de guerra”. Na terça passada, a narcoguerrilha libertou dois soldados feitos reféns em meio a combates ocorridos no último dia 9.

Uma grande operação militar de busca e salvamento foi implantada para encontrar o general. Em última instância, a sua libertação foi acordada após negociações entre funcionários do governo e líderes guerrilheiros. O grupo rebelde disse que a captura do general Alzate foi justa, porque não houve cessar-fogo durante as negociações. Mas o presidente Juan Manuel Santos chamou a ação de “um sequestro inaceitável”.

(Com Estadão Conteúdo e Agência France-Presse)

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