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Pressão internacional sobre Venezuela aumenta antes da Cúpula das Américas

Vinte e um ex-presidentes iberoamericanos divulgam nesta quinta uma carta aberta pedindo a libertação dos presos políticos e o respeito à independência dos três poderes

Por Da Redação 8 abr 2015, 16h08

(Atualizado às 22h31)

Antes mesmo de começar, a Cúpula das Américas, que acontece nesta sexta e sábado no Panamá, já aumenta a pressão internacional sobre o governo venezuelano. Pela primeira vez Nicolás Maduro participará da reunião como chefe de Estado e já deve começar sendo muito cobrado em relação à crise política e socioeconômica em seu país, afirma o jornal espanhol El País. Um comunicado conjunto, assinado por 21 ex-presidentes iberoamericanos e que deve ser divulgado nesta quinta-feira, pede que os líderes reunidos na cúpula se empenhem para buscar uma solução para os problemas na Venezuela. O documento, denominado “Declaração do Panamá”, denuncia a “alteração democrática” observada no país, defende a libertação dos presos políticos e a restauração da autonomia dos poderes.

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Representantes de organizações não-governamentais venezuelanas viajaram ao Panamá nesta quarta para informar sobre a situação dos direitos humanos no país. Além disso, 28 organizações de todo o continente emitiram um pronunciamento em que exigem que a Venezuela pare de tratar os defensores das causas humanas com hostilidade e pedem o auxílio das 35 nações que participarão da reunião em sua causa. O governo de Maduro vem, há vários dias, veiculando em seus meios campanhas de desprestigio contra os ativistas de seu país.

Também nesta quarta o presidente Barack Obama deve se reunir com os representantes dos governos caribenhos, que costumam ser uma fonte de apoio ao regime bolivariano nos fóruns internacionais. Essas nações se aliaram ao chavismo em troca de um generoso subsídio oferecido em negócios petroleiros, mas diante da crise econômica pela qual a Venezuela está passando, Washington pode oferecer alternativas energéticas vantajosas e tirar de Caracas alguns de seus mais importantes apoiadores.

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Cuba – Outro foco da Cúpula deve ser a nova relação entre Cuba e Estados Unidos. A reunião contará com a presença do ditador Raúl Castro, após mais de cinco décadas de isolamento diplomático da ilha. Para a Casa Branca, “muitas oportunidades” de conversa surgirão, porém nenhum encontro bilateral oficial foi marcado. Em dezembro do ano passado, Obama declarou que poria “fim a uma abordagem obsoleta” em relação a Cuba. O presidente anunciou que as relações diplomáticas seriam restabelecidas e que os Estados Unidos avançariam para por um fim a um embargo econômico e diplomático. Cuba diz que as restrições lhe custaram mais de um trilhão de dólares em cinco décadas.

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Desde o pronunciamento, os dois lados deram passos tímidos na direção de encerrar a política de isolamento. Porém, o Departamento de Estado americano está prestes a decretar a retirada de Cuba de sua lista de patrocinadores do terrorismo, o que pode significar um passo um pouco maior. O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, deu evidências de que a decisão poderia ser tomada antes do presidente Obama viajar para a Cúpula. “O Departamento de Estado é o primeiro passo nesse processo, e novamente, como o conselheiro de segurança nacional indicou hoje, anteciparíamos uma ação do Departamento de Estado relativamente próxima”, declarou Ernest em uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

Conversa com Dilma – Frente à crescente pressão internacional, Maduro conversou com a presidente brasileira Dilma Rousseff por telefone e, contrariando todas as suas declarações anteriores, afirmou que gostaria de “reduzir” as tensões com os Estados Unidos. Segundo a agência EFE, Dilma “saudou” o que parece ser mais uma manobra política de Maduro para tentar se livrar da responsabilidade por seus atos. O presidente bolivariano discursa quase que diariamente contra o que ele chama de “imperialismo americano” e cria teorias conspiratórias para culpar os Estados Unidos pelos graves problemas econômicos da Venezuela. Como parte de seu populismo barato, Maduro anunciou na última semana que o país passará a celebrar o ‘Dia do Anti-imperialismo’ no 9 de março, em alusão à data em que Obama decretou a Venezuela uma ameaça para a segurança americana.

(Da redação)

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