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Preso suspeito de atear fogo em igrejas frequentadas por negros

Crimes de Holden Matthews, branco de 21 anos, são considerados de ódio e racismo e podem resultar em até 45 anos de prisão

A polícia do estado de Louisiana, nos Estados Unidos, prendeu nesta quinta-feira, 11, Holden Matthews, de 21 anos, suspeito de ter ateado fogo em três igrejas de denominação Batista frequentadas predominantemente por negros em um período de nove dias. Matthews foi processado por provocar incêndios culposos em edifícios religiosos e, se considerado culpado, pode ser condenado a até 45 anos de prisão.

O pai do suspeito, Roy Matthews, é vice-xerife da Paróquia de Opelousas. Segundo a delegacia da cidade, ele não tinha conhecimento sobre as atividades do filho. Mas facilitou sua fuga quando soube das acusações, levando “o suspeito para fora de casa”.

A polícia investigava os três casos em conjunto, pois encontrou “padrões” nos incêndios ocorridos entre 26 de março a 4 de abril na região, a cerca de 160 quilômetros a noroeste de Nova Orleans. Os incêndios destruíram a Igreja Batista de St. Mary, na comunidade de Port Barre, a Igreja Batista da União Maior e a Igreja Batista Mount Pleasant, em Opelousas.

A maior parte dos fiéis que frequenta as igrejas é negra, levantando a suspeita de que os incêndios poderiam ter sido crimes de ódio motivados por racismo. A Louisiana foi um dos Estados americanos onde o segregacionismo vigorou. Os incêndios não provocaram mortes ou deixaram feridos, mas causaram revolta na população local.

Bombeiros e investigadores isolam área da Igreja Batista de Opelousas, Louisiana – 04/04/2019

Bombeiros e investigadores isolam área da Igreja Batista de Opelousas, Louisiana – 04/04/2019 (Leslie Westbrook/The Advocate/AP)

O governador da Louisiana, John Bel Edwards, disse que os “atos malignos” provocaram lembranças de “um passado muito sombrio de intimidação e medo”, em referência aos períodos da escravidão, da Guerra de Secessão e de segregacionismo negro. O democrata disse que o suposto incêndio criminoso foi causado por um “indivíduo depravado”. “O ódio não é um valor da Louisiana”, insistiu Edwards.