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Preso o nazista que assinou a primeira ordem de genocídio

Bernhard Frank viveu 65 anos em Frankfurt sem que fosse descoberto. Acabou traído por sua vaidade

Por La Vanguardia 8 dez 2010, 18h33

O judeu americano Mark Gold, de 43 anos, filho e neto de sobreviventes, se fez passar por neonazista para ganhar a confiança do velho oficial da SS

Durante 65 nos, o doutor Bernhard Frank, o funcionário nazista mais graduado ainda vivo, conseguiu esconder seu passado estarrecedor. Este oficial das SS foi o nazista que assinou a primeira ordem de extermínio de centenas de milhares de judeus na Segunda Guerra Mundial, conhecida como Commando Stadt Order.

O édito, difundido no dia 28 de julho de 1941, dizia: “Se tratar-se de uma população inferior do ponto de vista nacional e racial, deve ser morta imediatamente. Seus vilarejos devem ser totalmente queimados”. Frank recebia ordens diretas de Heinrich Himmler, foi oficial das SS e da Gestapo e posteriormente se aproximou de Hitler. O que Frank começou se converteria na máquina de extermínio nazista, com trens para deportações e câmaras de gás.

O oficial das SS, que hoje tem 97 anos, conseguiu viver tranquilamente na Alemanha sem que ninguém suspeitasse dele. Até que um dia bateu em sua porta um suposto militante neonazista, que pediu uma entrevista. Na verdade se tratava do judeu americano Mark Gold, de 43 anos, filho e neto de sobreviventes, que durante anos conseguiu pacientemente formar o quebra-cabeças do passado assustador do SS. Gold aproveitou seu aspecto “ariano” – alto, loiro e de olhos azuis – para ganhar a confiança do ancião. Depois de centenas de horas de encontros, todos gravados em vídeo, Frank revelou pela primeira vez seus segredos mais obscuros.

Nos próximos dias começará seu julgamento, no qual será acusado de genocídio, por um tribunal de Berlim. Parte das provas se baseiam no material recolhido por Gold. Em 1943, Frank foi nomeado responsável pela segurança de Obersalzberg, o refúgio alpino de Hitler, no sul da Alemanha. Dali, o Führer dirigiu o Terceiro Reich durante os primeiros anos da guerra.

Frank recebeu a ordem pessoal de Hitler de matar Hermann Goering, quando, em 25 de abril de 1945, os russos sitiaram o bunker do Führer em Berlim, e este tentou assumir a liderança do país. Frank se negou a matá-lo, mas prendeu Goering. No final da guerra, assinou a rendição diante dos americanos, entregando Obersalzberg. Foi assim que o oficial da SS entrou para a história: como o responsável pela segurança de Obersalzberg e o oficial que prendeu Goering, não como o responsável pelo genocídio de centenas de milhares de judeus. Até o dia em que Gold apareceu.

Durante as entrevistas, em sua casa em Frankfurt, o velho SS tinha um fuzil ao seu lado. Quando o pesquisador americano mostrou a ordem de assassinato de judeus assinada por ele, Frank, surpreso, justificou alegando que “se tratava de partisans judeus membros da guerrilha”. Quando Gold perguntou se as mulheres, crianças e velhos também eram partisans, o velho nazista apenas se moveu na cadeira, mas não respondeu.

“Por vezes me assustava com o fuzil ao lado”, declarou Gold. E acrescentou: “Tenho a impressão de que Frank não quer morrer sem que se conheça sua responsabilidade real nas SS. Ele está muito orgulhoso de tudo o que fez e, por isso, depois de dezenas de anos de silêncio, me entregou seus diários e até mesmo suas cartas de amor”.

No final de semana passado, Gold foi à casa de Frank para entregar pessoalmente a convocação da justiça. A esposa do nazista atacou Gold e lhe causou ferimentos. A promotora Darshan Leitner declarou que “é muito importante que o oficial da SS seja julgado, apesar de sua idade avançada”.

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