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Preso imã que acusou menina paquistanesa de blasfêmia

Polícia do país suspeita que o religioso falsificou provas para condenar a adolescente, que está presa por ter queimado páginas com versículos do Corão

Por Da Redação - 2 Sep 2012, 11h40

O imã que acusou de blasfêmia a adolescente paquistanesa Rimsha, de 11 anos, foi detido pela polícia, que suspeita que o religioso tenha falsificado provas, segundo informaram fontes dos serviços de segurança do Paquistão. A menina, que é cristã e que vive em um bairro pobre de Mehrabad, nas proximidades de Islamabad, está detida há mais de duas semanas por ter, segundo denúncias de vizinhos, queimado algumas páginas que continham versículos do Corão destinado a crianças.

Hafiz Mohammed Khalid Chishti, o imã da mesquita próxima da residência de Rimsha, foi a pessoa que entregou à polícia as páginas queimadas do Alcorão. Ele foi detido no sábado. Um juiz paquistanês decidiu adiar para segunda-feira a audiência prevista para decidir sobre a libertação condicional da jovem Rimsha porque existiam dúvidas sobre a validade dos documentos apresentados ao tribunal.

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No Paquistão, a queima de versículos do Alcorão pode ser punida com prisão perpétua. Na última semana, uma equipe médica oficial confirmou que a menina sofre de retardo mental. Mesmo assim, a justiça paquistanesa decidiu prolongar a detenção preventiva de Rimsga para que mais investigações pudessem ser realizadas, segundo o policial que coordena a operação, Munir Jafri.

Legislação – A lei da blasfêmia foi estabelecida no período de dominação britânica para prevenir choques religiosos, mas foi nos anos 1980, com uma série de reformas feitas pelo ditador Zia-ul-Haq, que a prerrogativa começou a ser usada de forma abusiva. Desde então, foram registradas dezenas de acusações por blasfêmia, quase sempre a pedido de líderes religiosos que procuram amedrontar minorias, especialmente os cristãos. O Paquistão tem 180 milhões de habitantes, dos quais cerca de 5 milhões são cristãos.

(Com agência France-Presse)

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