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Presidente turco pede que França não se intrometa no país

Para Abdullah Gül, os franceses devem deixar 'a história para os historiadores'

Um dia após a aprovação de uma lei que pune a negação do genocídio armênio pelo Parlamento francês – que levou à suspensão de qualquer cooperação política e militar da Turquia com a França -, o presidente turco, Abdullah Gül, se manifestou em um comunicado oficial. Na nota, Gül pediu que os franceses não se intrometam nos assuntos de seu país e deixem “a escritura da história para os historiadores”.

Entenda o caso

  1. • Os deputados franceses aprovaram uma lei que pune com um ano de prisão e multa de 45.000 euros qualquer pessoa que negar a existência do ‘genocídio armênio’.
  2. • Os armênios afirmam que 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas em 1915, durante I Guerra, na região do leste da Turquia; outros milhares foram deportados. Eles eram considerados inimigos e acusados de se aliarem com a Rússia.
  3. • O governo turco reconhece que cerca de 500.000 armênios morreram em combates e durante sua deportação, mas nega que as mortes tenham sido intencionais.


“Está fora de questão aceitarmos o projeto de lei que está em pauta na Assembleia Nacional francesa, que busca eliminar a nossa liberdade de refutar as acusações injustas e infundadas contra o nosso país”, disse Gül. O presidente afirmou esperar que a França, “o mais rapidamente possível”, abandone essa iniciativa, “que a coloca em uma posição que não respeita a liberdade de expressão e que até mesmo proíbe investigações científicas”.

“Estranhamente, essas iniciativas coincidem com períodos pré-eleitorais. Prefiro acreditar que a França não sacrificará sua amizade secular com a Turquia, nossos interesses comuns e laços de aliança devido a pequenas ambições políticas”, acrescentou. Segundo ele, “fazer julgamentos sobre a história de outro país e alterar essa história para benefícios políticos por meio do Parlamento é, na melhor das hipóteses, falta de tato”. Por fim, Gül destacou que esperamos que a “razão” e o “bom senso” prevaleçam na França, que o projeto de lei seja descartado e que “a escritura da história seja deixada para os historiadores”.

Diplomacia – Também nesta sexta-feira, o embaixador da Turquia na França, Tahsin Burcuoglu, regressou a Ancara para consultas em meio à crise diplomática, segundo informou um porta-voz da embaixada. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ainda acusou a França de ter cometido o genocídio na Argélia durante a ocupação colonial do país norte-africano. Erdogan ordenou na quinta-feira a suspensão das visitas bilaterais e a anulação de exercícios militares conjuntos com a França. Já o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, “lamentou” as decisões da Turquia e convocou o governo turco a evitar “reagir exageradamente”.