Presidente turco acusa Holanda de ser um “resquício do nazismo”

Recep Erdogan acusou a Holanda de ser um "resquício do nazismo e do fascismo" após um de seus ministros ser proibido de pousar seu avião no país.

Por Da Redação - Atualizado em 11 mar 2017, 18h51 - Publicado em 11 mar 2017, 17h38

O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan acusou a Holanda de ser um “remanescente do nazismo” e do fascismo após um de seus ministros, Mevlüt Cavusoglu, ser proibido de pousar o avião no país.

Cavusoglu devia participar, em Roterdã, de um comício para conseguir o apoio de milhares de imigrantes turco e turco-holandeses para um referendo que se realizará na Turquia no próximo mês e pretende dar maior apoio constitucional ao presidente Erdogan. Contudo, o evento foi proibido por medidas de segurança e o avião, impedido de pousar na Holanda.

Durante um evento público em Istambul, neste sábado, Erdogan comparou o governo holandês aos nazistas. “Eles não sabem nada de política ou diplomacia internacional. São remanescentes nazistas e fascistas”, afirmou, de acordo com a rede americana CNN.

O primeiro-ministro holandês Mark Rutte confirmou no Facebook que o avião que carregava Cavusoglu foi proibido de pousar. A preocupação, de acordo com ele, é que a presença do ministro turco interrompa a ordem pública.

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“Vamos impor sanções pesadas à Holanda se a visita for bloqueada”, disse Cavusoglu antes da viagem. O ministro holandês das Relações Exeriores, Bert Koenders, havia dito que seu país não facilitaria a vinda do ministro turco: “Não vamos participar de uma visita para conduzir uma campanha política para um referendo, (…) portanto não vamos cooperar”, disse.

Atritos diplomáticos

Os holandeses terão uma eleição nacional na quarta-feira na qual o sentimento anti-imigração teve um papel proeminente, e o candidato nacionalista Geert Wilders classificou Erdogan como um ditador. Na manhã deste sábado Cavusoglu havia dito que iria voar à cidade holandesa de qualquer maneira e acusou os holandeses de tratarem cidadãos turcos no país como “reféns”.

“Eu os enviei para que eles pudessem contribuir para a sua economia… eles não são seus cativos”, afirmou ele à CNN Turquia. “Se minha ida irá aumentar as tensões, que seja. Que estrago minha ida fará neles? Sou um ministro das Relações Exteriores e posso ir para onde quiser”, disse antes de a Holanda impedir seu voo.

Cavusoglu havia ameaçado com sanções econômicas e políticas severas se os holandeses recusassem sua entrada, uma postura que se mostrou decisiva para Amsterdã. O governo citou preocupações com a ordem e a segurança ao retirar a autorização de pouso do voo de Cavusoglu, mas disse que a ameaça de sanções tornou a busca por uma solução equilibrada impossível.

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O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disse que, embora a Holanda e a Turquia possam procurar “uma solução aceitável”, Ancara não está respeitando as regras no tocante a reuniões públicas.

“Muitos holandeses de origem turca estão autorizados a votar no referendo sobre a constituição turca. O governo holandês não tem nenhum protesto contra reuniões em nosso país para informá-los a esse respeito”, escreveu no Facebook. “Mas estas reuniões podem não contribuir para as tensões em nossa sociedade, e todos que querem realizar uma reunião são obrigados a seguir instruções daqueles que se ocupam da autoridade, para que a ordem e a segurança pública possam ser garantidas”, acrescentou o premiê.

(Com Reuters)

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