Presidente palestino pede desculpas por declarações sobre judeus

Líder havia dito que a perseguição aos judeus era causada por sua profissão social e não por sua religião

Por Da redação - 4 maio 2018, 09h22

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, pediu desculpas nesta sexta-feira após ser acusado de antissemitismo por um discurso no qual sugeriu que a perseguição histórica aos judeus europeus havia sido causada por sua própria conduta e não por sua religião.

Na segunda-feira, durante uma reunião do Conselho Nacional Palestino (CNP), na Cisjordânia, Abbas afirmou que os judeus da Europa sofreram massacres “a cada dez ou quinze anos em alguns países desde o século XI e até o Holocausto”.

Citando livros de vários autores, Abbas argumentou: “Eles disseram que o ódio contra os judeus não se deveu à sua religião, mas a sua profissão social. Então, a questão judaica que se disseminou contra os judeus em toda a Europa não foi por causa de sua religião, foi por causa da usura e dos bancos”.

O comentário foi duramente criticado por grupos judeus. Na quarta-feira, o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou Abbas de antissemitismo e negação do holocausto. “Parece que, uma vez tendo negado o Holocausto, sempre negará o Holocausto”, escreveu Netanyahu no Twitter. “Peço à comunidade internacional que condene o antissemitismo grave de Abu Mazen (Abbas), que deveria ter desaparecido deste mundo há muito tempo”.

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Nesta sexta-feira, o presidente palestino condenou o antissemitismo e chamou o Holocausto de “maior crime hediondo da história” em um comunicado divulgado por seu gabinete em Ramallah após a reunião de quatro dias do CNP.

“Se pessoas foram ofendidas por minha declaração ante o CNP, especialmente pessoas de fé judaica, eu peço desculpas a elas. Gostaria de assegurar a todos que não foi minha intenção fazê-lo, e de reiterar meu total respeito à religião judaica, assim como a outras religiões monoteístas.”

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Reeleição

Também nesta sexta-feira, Mahmoud Abbas foi reeleito à frente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), ao fim de uma reunião da instituição.

Abbas, de 82 anos, “foi proposto e aprovado por unanimidade como presidente do Estado da Palestina”, disse à AFP um de seus conselheiros, Nabil Shaath, ao término do encontro do Conselho Nacional Palestino aberto na segunda-feira.

Os partidários de Abbas aderem o cargo de presidente da OLP, organização histórica reconhecida internacionalmente como representante dos palestinos dos territórios e da diáspora, ao de presidente do Estado da Palestina.

Mais de 130 membros da ONU reconhecem o Estado da Palestina, assim como o status de Estado observador não membro das Nações Unidas. Israel, Estados Unidos e vários países da União Europeia não o reconhecem.

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O CNP elegeu um novo Comitê Executivo, que funciona literalmente como gabinete de Abbas. Foram nomeados 15 membros, em vez de 18, para deixar lugares para o movimento islamista Hamas, rival de Abbas, e para duas siglas menores, as quais, assim como o Hamas, boicotaram o CNP.

Dos 15 membros, nove ingressam pela primeira vez. A reunião do CNP é considerada um meio para consolidar as posições do Abbas. Excluíram-se do conselho potenciais rivais como Yasser Abed Rabbo.

Abbas foi eleito presidente da Autoridade Palestina em 2005 por quatro anos, mas permaneceu no cargo desde então pela falta de eleições, devido às dissensões interpalestinas.

(Com AFP e Reuters)

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