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Presidente indica candidato do Hezbollah como novo premiê

Partidários de Saad Hariri protestam contra a nomeação em um ‘dia de fúria’

“O sangue sunita está fervendo”

Manifestantes, partidários de Hariri, ao queimar fotos de Mikati

O presidente do Líbano, Michel Suleiman, indicou nesta terça-feira o magnata do setor de telecomunicações Najib Mikati, apoiado pelo Hezbollah e seus aliados, como primeiro-ministro do país. A nomeação é questionada pelos partidários de seu antecessor, Saad Hariri, que tomaram as ruas do Líbano para protestar no que definiram como um ‘dia de fúria’. A crise no no país teve início no dia 12 de janeiro, após a demissão de onze ministros do partido político e grupo radical xiita, com apoio do Irã.

Segundo fontes libanesas, Mikati, um sunita de Trípoli, obteve apoio de 68 dos 128 membros do Parlamento. Após a indicação, ele disse que vai iniciar, na próxima quinta-feira, conversas para formação do governo e também fez um apelo a todas as facções libanesas para superar as diferenças. “A nomeação não é uma vitória de um bloco contra o outro”, declarou o novo premiê.

“É a vitória da reconciliação em detrimento das divergências”. Mikati disse ainda que “nada justifica que uma parte política se negue a participar” no futuro governo. “Estendo a mão a todas as partes”, acrescentou. A declaração foi feita após Hariri e seus partidários indicarem que não participarão de nenhum governo dirigido por um candidato do Hezbollah.

Reação – Enquanto isso, nas ruas, milhares de pessoas protestaram, às vezes de forma violenta, contra a substituição de Hariri por Mikati. “O sangue sunita está fervendo”, gritavam alguns manifestantes, queimando fotos de Mikati e agitando as bandeiras azuis do Movimento Futuro, de Hariri.

A troca de premiês provocou a ira dos sunitas do país, que veem nisso uma tentativa do Hezbollah, que é xiita, de impor sua vontade no Líbano. Pelo sistema libanês de partilha de poderes, o primeiro-ministro do país é sempre sunita, e os seguidores de Hariri dizem que um político que aceitar uma indicação do Hezbollah para formar o novo governo deve ser considerado traidor.

Apesar de Hariri se negar a participar de um governo dominado pelo partido político e grupo radical, ele pediu calma aos seus partidários e afirmou rejeitar todas as formas de violência. “Faço um chamado nacional. Vocês estão nervosos, mas são pessoas responsáveis. Eu entendo seus sentimentos”, disse, em um discurso televisionado. “Essa raiva não nos deve levar a ações que não estão de acordo com nosso valor e nossa crença de que nossa democracia é um refúgio.”

Contexto – A demissão de onze ministros do Hezbollah, há treze dias, foi motivada por uma disputa sobre a investigação do assassinato do pai de Hariri, o ex-premiê Rafik Hariri. Agora, a acusação dos partidários do premiê é de que o Hezbollah, movimento político, religioso e militar cada vez mais poderoso, tenta colocar o governo do Líbano sob o controle indireto do Irã, seu aliado.

Mustafá Alush, membro do conselho político do partido de Hariri, foi um dos políticos que alertaram para o risco de o Hezbollah colocar o Líbano “sob tutela do sistema político iraniano”. Ele e outros partidários de Hariri classificaram ainda as manobras do Hezbollah como tentativa de “golpe de estado” por parte do movimento extremista para impor Mikati como chefe de governo.

(Com agências France-Presse e Reuters)