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Presidente egípcio deixa palácio em meio a protestos

Segundo fontes da presidência do Egito, Mohamed Mursi teria deixado prédio quando milhares de manifestantes protestavam do lado de fora

Por Da Redação 4 dez 2012, 15h46

O presidente do Egito, Mohamed Mursi, deixou o palácio presidencial no Cairo nesta terça-feira, em meio a protestos contra seu governo. “O presidente deixou o palácio”, disse uma fonte presidencial, que não quis se identificar. Outra fonte, ligada à área de segurança do palácio presidencial, também confirmou que Mursi deixou o prédio.

O gabinete presidencial deu uma versão diferente para a saída de Mursi. Segundo informação da rede CNN, Mursi tinha ido para uma reunião com autoridades do seu governo, fora do palácio, por isso não estava no local quando os protestos se intensificaram.

Policiais usaram gás lacrimogêneo para tentar conter manifestantes que tentavam retirar as barreiras de proteção colocadas em frente ao palácio presidencial. Mesmo assim, alguns conseguiram ultrapassar a barreira. Os policiais recuaram e permitiram que os manifestantes chegassem mais perto do palácio. Segundo o Ministério da Saúde, 18 pessoas ficaram feridas.

As manifestações dessa terça-feira, chamadas de “último aviso”, exigem a saída de Mursi do poder. O membro da Irmandade Muçulmana foi eleito em junho deste ano, depois do fim de três décadas de ditadura de Hosni Mubarak. Mas o governo de Mursi está emendando uma ditadura na outra e os manifestantes não dão sinais de que vão se render.

O presidente egípcio enfureceu seus opositores com uma controversa ‘declaração constitucional’, anunciada no último dia 22. A declaração amplia os poderes de Mursi ao prever, entre outras medidas, a impossibilidade de se questionar judicialmente suas decisões.

Depois do anúncio, os protestos se intensificaram pelo país. Uma das frases ouvidas nesta terça na Praça Tahir, no Cairo, dizia: “O povo quer a queda do regime”. Um slogan similar ao das manifestações que levaram à queda de Mubarak, em fevereiro do ano passado.

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A aprovação da nova Constituição do país, de forma apressada, na última sexta-feira, só fez aumentar a insatisfação dos que acreditam que o governo tenta impor um texto que aumente a influência do islã na vida pública dos egípcios. A aprovação se deu mesmo com o boicote de vários integrantes da Assembleia Constituinte. Liberais, socialistas, cristãos e muçulmanos seculares não suportaram a intransigência da bancada fundamentalista islâmica e ficaram fora da elaboração do texto. No protesto desta terça no Cairo, os manifestantes empunhavam bandeiras do Egito com a mensagem “não à constituição”.

Um referendo sobre a Constituição foi marcado para o próximo dia 15. O texto transforma clérigos muçulmanos radicais em fiadores das leis, permite a censura e a perseguição a opositores, assegura o poderio econômico dos militares e não garante o direito das mulheres.

(Com agência Reuters)

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