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Presidente do Zimbábue considera ‘satânica’ ajuda britânica à causa gay

Harare, 24 nov (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, considerou ‘satânica’ a proposta de ajuda do primeiro-ministro britânico David Cameron à cooperação aos direitos dos homossexuais, informou nesta quinta-feira o jornal ‘The Herald’.

Em declarações publicadas pelo diário oficial, Mugabe disse que Cameron fez uma ‘sugestão diabólica’ na cúpula da Commonwealth (Comunidade das Nações) de outubro na Austrália, ao ameaçar reter as ajudas aos países que proíbem a homossexualidade e não garantem os direitos dos homossexuais na legislação.

‘É ainda pior e satânico quando vemos um primeiro-ministro como Cameron declarar que os países que querem a ajuda britânica devem aceitar a homossexualidade’, considerou o presidente.

Além disso, Mugabe se dirigiu diretamente à comunidade gay: ‘Não se sintam tentados. Vocês são jovens. Se seguirem esse caminho, serão castigados de maneira severa’. E acrescentou que aqueles que escolhem esta opção sexual são ‘piores que os porcos e os cachorros’.

Recentemente, este debate gerou tensões no Governo de coalizão do país. A União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, acusa o primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de ceder aos valores ocidentais, já que propôs que se reconheçam os direitos dos homossexuais em uma nova Constituição.

Robert Mugabe governou o Zimbábue sozinho e de maneira autoritária desde a independência do país, em 1980, até a aliança com MDC, em fevereiro de 2009, quando se viu forçado a formar um Governo de unidade com Tsvangirai, seu rival político. EFE