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Presidente do Peru escolhe deputado marxista para primeiro-ministro

Nomeação revolta parte da sociedade e políticos de centro, que esperavam a formação de um governo moderado

Por Da Redação 30 jul 2021, 11h59

Um dia após tomar posse, o novo presidente do Peru, Pedro Castillo, nomeou o deputado marxista de extrema-esquerda, Guido Bellido Ugarte, como primeiro-ministro do país, acabando com as expectativas de um governo moderado.

Com quase três horas de atraso, o novo chefe de Estado prestou juramento em um gabinete ainda incompleto na noite da última quinta-feira, 29, cercado de várias figuras da extrema-esquerda nacional e apenas duas mulheres. Apesar de ainda não ter indicado oficialmente um ministro da Fazenda, o favorito ao cargo, Pedro Francke, foi visto deixando o local pouco antes do início da cerimônia. 

O mercado peruano já tem demonstrado medo e incerteza com a administração de Castillo. Com a nomeação de Franke, membro do mesmo partido do presidente, o Peru Livre, a sensação de desconfiança deve ficar ainda maior.

A nomeação de Bellido para o cargo causou fúria e descontentamento por parte dos políticos de centro do país, que apoiaram a campanha de Castillo contra a candidata de extrema-direita, Keiko Fujimori. 

A escolha, no entanto, é um sinal de que Castillo pretende seguir em frente com o projeto de descentralizar a administração.

“Não será mais necessário ir até Lima, o governo estará em todos os cantos do país”, ressaltou pouco antes de fazer a nomeação.

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A medida está em linha com a decisão do novo presidente de não governar a partir da Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano, em Lima, e que será dedicada ao Ministério da Cultura.

Nativo de Cusco, o novo primeiro-ministro também está sendo investigado por apologia ao terrorismo, que é crime no Peru. Em uma entrevista para a mídia local em abril, Bellido demonstrou apoio ao Sendero Luminoso, grupo rebelde maoísta acusado de matar milhares de peruanos nas décadas de 1980 e 1990 em uma tentativa de tomar o poder.

Bellido também afirmou, repetidas vezes, que considera Cuba uma democracia, “porque lá se cumpre a vontade do povo e é por isso que o regime sobrevive depois de 60 anos”.

Além disso, o deputado já expressou opiniões consideradas misóginas e homofóbicas nas redes sociais, atacando políticos homossexuais e o que ele considera como “promoção da agenda gay”, associando suas ofensas a uma postura radical de esquerda.

A vitória de Castillo nas eleições foi uma surpresa para muitos peruanos e, sobretudo, representou um duro golpe para a política tradicional no país. Durante a campanha, ele foi enfático ao apontar a necessidade de o Estado intervir mais na economia e insistiu em promover a criação de uma Assembleia Constituinte para criar uma nova Carta Magna, propostas que geraram polêmica.

Castillo também toma posse com a certeza de que não terá facilidade na relação com seus adversários, que já na noite de 6 de junho — quando ele derrotou a candidata de direita Keiko Fujimori no segundo turno — começaram a semear dúvidas sobre a legitimidade de sua vitória.

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