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Presidente do México fala sobre “disposição ao diálogo” com Trump

López Obrador comemorou acordo para suspender as sanções contra seu país; em troca, ele deverá adotar a política migratória proposta pelo governo dos EUA

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, conversou no sábado 8 com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre sua “disposição à amizade, ao diálogo e à parceria” com o país.

“Conversamos por telefone com o presidente Trump”, anunciou o chefe de Estado em sua conta no Twitter, pouco minutos antes de liderar um ato na cidade fronteiriça de Tijuana, em comemoração ao acordo fechado com os americanos para evitar a imposição de tarifas.

Estes novos impostos seriam uma reprimenda à política migratória do governo mexicano, lidando com um grande contingente de pessoas que desejam chegar ao outro lado da fronteira. Sua suspensão foi considerada um apaziguamento temporário da relação diplomática entre os países.

Em sua conta na rede social, o presidente do México ainda antecipou parte de seu discurso no ato em Tijuana, “em defesa da dignidade nacional”, escrevendo que não levantará um “punho fechado” contra os Estados Unidos, mas sim “a mão aberta e franca”.

“Reiteramos nossa disposição à amizade, ao diálogo e à colaboração pelo bem de nossos povos”, completou López Obrador.

Depois de três dias de negociações em Washington, os governos americano e mexicano fecharam na sexta-feira 7 um acordo para frear a migração, sob a garantia de que Trump retiraria a ameaça de impor, a partir do dia 10 de junho, tarifas de importação de 5% sobre todos os produtos mexicanos.

Detalhes do acordo

Já neste domingo, Trump disse que seu governo divulgará detalhes adicionais sobre seu acordo migratório com o governo do México, negando a notícia de que nenhum compromisso importante havia sido firmado pelo México para conter o fluxo de imigrantes na fronteira sul americana.

“O México não estava cooperando na fronteira… e agora tenho plena confiança, especialmente depois de falar com o presidente deles ontem, de que eles serão muito cooperativos e querem fazer seu trabalho corretamente”, escreveu o republicano em sua conta no Twitter.

“O importante é que algumas coisas não mencionadas no comunicado de ontem, uma em particular, foram acordadas. Isso será anunciado no momento apropriado”, acrescentou Trump, sem entrar em detalhes sobre qual é este assunto confidencial.

O acordo fechado na última sexta, depois de três dias de negociação em Washington, amplia um programa polêmico que envia migrantes em busca de asilo nos Estados Unidos de volta para o México enquanto seus casos estão sendo analisados pela Justiça americana, além de aumentar a segurança na fronteira do país latino-americano.

Trump também criticou uma reportagem do New York Times, segundo a qual o novo acordo seria composto apenas de compromissos previamente acordados pelo México, chamando-a de “falsa”.

Citando funcionários de ambos os países, familiarizados com as negociações, o jornal disse neste domingo que a expansão do programa de permanência dos migrantes no México já havia sido acertada em dezembro.

O jornal também afirmou que, em março, o México havia concordado em posicionar sua Guarda Nacional por todo o país, dando prioridade à fronteira sul.

“Estamos tentando obter algumas dessas ações de fronteira há muito tempo, assim como outras administrações, mas não conseguimos obtê-las, nem obtê-las na íntegra, até a assinatura de nosso acordo com o México”, defendeu Trump.

Compromissos se cumprem

Apesar do tom amistoso deste final de semana, com elogios à “vontade de buscar uma saída negociada ao conflito”, López Obrador deixou claro para Trump que “os compromissos se cumprem” avisando que, como o México reforçará sua fronteira com a Guatemala, o governo americano também deverá respeitar os direitos humanos dos migrantes e apoiar um plano de desenvolvimento para a América Central.

Além disso, o líder esquerdista, também chefe do Movimento Regeneração Nacional (Morena), se mostrou firme ao rejeitar que no futuro se possa impor novas represálias tarifárias ao México.

“Como chefe e representante do Estado mexicano, não posso permitir a ninguém que atente contra a economia do nosso país”, disse López Obrador, definindo-se como um “pacifista” seguidor de Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e Martin Luther King.

 

(com EFE, Reuters)