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Presidente do Banco Central da Argentina pede demissão

País enfrenta greve geral nas suas principais cidades hoje; FMI deverá ditar a nova política monetária do país

Por Da Redação - Atualizado em 25 set 2018, 14h45 - Publicado em 25 set 2018, 10h47

O presidente do Banco Central da Argentina, Luis Caputo, apresentou sua renúncia nesta terça-feira 25 um dia depois de o presidente Mauricio Macri ter declarado, em Nova York, que negocia a ampliação da ajuda do Fundo Monetário Internacional e também uma nova política monetária.

“Esta renúncia se deve a motivos pessoais, com a convicção de que o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) restabelecerá a confiança nas situações fiscal, financeira, monetária e cambial”, afirmou Caputo em sua nota de renúncia.

A saída de Caputa se dá no dia em que o governo enfrenta uma greve geral de trabalhadores, convocada pela poderosa Confederação Nacional do Trabalho (CGT), contra as medidas de ajuste fiscal, como cortes de subsídios para preços de serviços públicos e demissões de servidores do governo.

Guido Sandleris, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, será o novo presidente do banco. 

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O peso passou a despencar mais de 4% após a renúncia de Caputo, que, segundo a imprensa local, teve divergências sobre a condução financeira com o ministro da Economia, Nicolás Dujovne. Caputo também agradeceu a Macri pela confiança que o presidente depositou nele quando ocupou vários cargos no governo, entre eles o de ministro das Finanças.

A segunda renúncia de um presidente do Banco Central em menos de quatro meses surpreendeu o mercado financeiro, em um momento em que o banco central procura conter a desvalorização acentuada do peso argentino, que já perdeu 50% até agora em 2018, e o governo está negociando uma extensão de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A renúncia ocorre também durante uma viagem do presidente Mauricio Macri à Nova York para a Assembleia-Geral das Nações Unidas. Macri aproveita para manter contatos com o FMI. O país deseja revisar o acordo de 50 bilhões de dólares com o Fundo, para ter mais segurança diante de estresses cambiais recentes, e sua ajuda para a formulação de uma nova política monetária e cambial.

Macri, em Nova York, descartou a possibilidade de retomada do modelo de câmbio paritário ao dólar, como o adotado nos anos 1990.

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Caputo chegou assumiu o cargo no Banco Central em 14 de junho, quando substituiu Federico Stuzenegger, que renunciou sobrecarregado pela fraqueza da moeda e pela alta taxa de juros.

Sandleris, atual secretário de Política Econômica, terá que lidar com uma forte volatilidade do peso, uma inflação que deve ultrapassar 40% neste ano e uma economia estagnada.

Crise econômica

A Argentina sofreu um estresse em seus mercados financeiros neste ano, sobretudo no cambial, com investidores temerosos sobre a trajetória das contas do país e a capacidade de honrar sua dívida.

Nesse contexto, Macri fechou um acordo com o FMI, de 50 bilhões de dólares, mas houve novos estresses no câmbio e agora o governo de Buenos Aires tenta renegociar os termos, para garantir mais segurança a fim de enfrentar a crise.

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Algumas autoridades do governo estão nos EUA, para a Assembleia-Geral da ONU, e aproveitam para tratar do assunto com o Fundo.

Na segunda-feira, Macri assegurou aos mercados que conseguirá renegociar o acordo com o FMI, fechado em junho, e garantiu que não há risco de o país decretar moratória da dívida externa, como em 2001.

A ampliação do crédito original pelo FMI tenderá a vir acompanhado por contrapartidas na área fiscal. Macri já está em negociação com o Congresso de seu plano de déficit primário zero em 2019 e prepara um projeto para a limitação da expansão dos gastos públicos. O FMI deverá exigir mais, além de impor o modelo que lhe pareça mais adequado para a Argentina.

O governo depende do Congresso, onde não tem maioria, para aprovar o orçamento de 2019, que prevê cortes nos gastos públicos – justamente em ano de eleição presidencial.

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Macri disse que é candidato a um segundo mandato e que não mudará o rumo da política econômica, apesar de estar pagando um alto preço político.

O governo argentino atribuiu a crise a fatores que escapam do seu controle, entre eles, a pior seca em cinquenta anos e a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas, segundo Macri, o pior já passou e a economia deve voltar a crescer no segundo semestre.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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