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Presidente de El Salvador pede perdão por massacre cometido em 1981

O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, pediu perdão nesta segunda-feira em nome do Estado pelo massacre de cerca de 1.000 camponeses cometido pelo Exército em 1981 em El Mozote e em outras comunidades vizinhas, 200 km a nordeste da capital.

“Por esse massacre, pelas chocantes violações dos direitos humanos e pelos abusos praticados, em nome do Estado salvadorenho, peço perdão às famílias das vítimas”, disse Funes entre lágrimas, em um emotivo discurso em um ato realizado na praça de El Mozote.

“Peço perdão a mães, pais, filhos, filhas, irmãos, irmãs que não sabem até hoje o paradeiro de seus entes queridos. Peço perdão ao povo salvadorenho que foi vítima deste tipo de violência atroz e inaceitável”, afirmou o governante diante de familiares das vítimas, reunidos na praça.

Com o ato simbólico em El Mozote, o mandatário esquerdista preside a comemoração do 20º aniversário da assinatura dos acordos que puseram fim a uma cruel guerra civil que assolou El Salvador entre 1980 e 1992.

Ao lado do monumento erguido em memória das vítimas, Funes disse que o pedido de perdão “não pretende apagar a dor”, mas é um “ato de reconhecimento e de dignificação das vítimas” e “expressão” do compromisso oficial de ressarci-las “moral e materialmente”.

O massacre foi cometido durante a guerra civil entre 11 e 13 de dezembro de 1981 por tropas do hoje extinto Batalhão Atlacatl do Exército, que atacou os moradores, acusando-os de colaborar com a guerrilha esquerdista, cujos líderes estão hoje no poder.