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Presidente da Turquia promete ‘cobrir necessidades’ da Venezuela

Sistema de saúde do país perdeu 20% de sua capacidade e 20.000 médicos desde início da crise econômica

Em visita oficial a Caracas, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, prometeu nesta segunda-feira cobrir “a maioria das necessidades da Venezuela”, que enfrenta  grave crise econômica e humanitária. Mais de 3 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015 devido as condições geradas pela ditadura de Nicolás Maduro.

“Nós vamos cobrir a maioria das necessidades da Venezuela. Temos esta força, temos esta oportunidade. Gostaria de destacar isso”, afirmou Erdogan, acompanhado por empresários turcos, durante encontro com Maduro.

A Turquia tem se aproximado da Venezuela nos últimos anos, com interesse especial nas áreas militar, de comércio, turismo, mineração, construção e energia. Em setembro passado, assinaram um acordo de cooperação econômica e comercial e outro para os setores agrícola e de turismo. Erdogan indica que a aproximação é um revide às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre a Venezuela.

A aproximação com a Turquia surge no momento em que a China e a Rússia recuam na ajuda financeira a Caracas. Erdogan desembarcou no país no domingo 2, depois de participar da reunião de cúpula do G20 em Buenos Aires, Argentina.

Erdogan não chegou a detalhar se a ajuda da Turquia poderia ser direcionada também à área social, uma das mais devastadas da Venezuela. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema de saúde venezuelano perdeu 20% de sua capacidade de atuação. Desde o início da crise, 20 mil médicos e 5 mil enfermeiros deixaram o país.

“Também vimos o aumento da malária e outras doenças. Estamos ajudando com compra a determinados setores, como vacinas, e temos canais abertos com o governo”, indicou diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Por anos, o governo de Caracas recusou-se a aceitar qualquer ajuda internacional para aliviar a falta de alimentos e remédios para a população, alegando que isso seria justificativa para uma intervenção militar. No mês passado, porém, o regime de Maduro acabou cedendo e aceitou a remessa de 9,5 milhões de dólares pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Como parte da ONU, a ONS terá 3,6 milhões de dólares para desembolsar em hospitais, no pagamento de salários e na compra de remédios na Venezuela. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a Venezuela enfrenta a fuga de um de cada três médicos e a explosão de casos de aids, malária, tuberculose, sarampo, difteria e outras doenças.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)