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Presidente da Itália pede que Mario Monti forme novo governo

Ex-comissário europeu terá o desafio de colocar em prática as reformar fiscais que possibilitarão a recuperação da economia local

Por Da Redação 13 nov 2011, 16h02

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, concedeu um mandato ao ex-comissário europeu Mario Monti para formar um novo governo, informou uma autoridade do gabinete do chefe de estado à agência Reuters. O presidente convocou o ex-comissário para uma reunião na tarde deste domingo e indicou Monti para o cargo de primeiro-ministro, ao qual Silvio Berlusconi renunciou oficialmente no último sábado.

Monti tem o apoio da maior parte dos partidos italianos, incluindo a legenda do próprio Berlusconi. Sua atribuição será formar um governo de emergência – composto por uma nova equipe ministerial – e pedir o voto de confiança do Parlamento, que terá dez dias para aprovar a indicação do novo premiê e de seu governo. Antes disso, Monti não estará apto a tomar nenhuma atitude em relação às reformas fiscais aprovadas neste fim de semana. Mario Monti é considerado um administrador técnico, sem envolvimento político – e por essa razão sua convocação é apreciada pelo mercado.

Logo após sua indicação, ele declarou à imprensa que a Itália poderá vencer a crise se fizer um esforço coletivo. “A Itália deve ser um elemento de força, e não de fraqueza na União Europeia”, disse. Segundo Monti, a retomada do crescimento é uma dívida da Itália para com a população.”É algo que devemos a nossos filhos, aos quais temos que dar um futuro concreto de dignidade e esperança’, disse o futuro premiê.

‘Super Mario’ – Economista de 68 anos, Monti tem uma reputação de competência e independência conquistada durante os dez anos em que foi membro da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia. Em 1994, o então presidente da Comissão, Jacques Santer, o nomeou comissário de Mercado Interno, por indicação de Silvio Berlusconi. Em 1999, foi indicado pelo compatriota Romano Prodi, rival de Berlusconi, para o posto de comissário de Concorrência, reforçando seu perfil suprapartidário. O segundo governo Berlusconi não o indicou para um terceiro mandato. Monti é também editorialista do jornal italiano Corriere della Sera e autor de publicações sobre economia monetária e finanças.

Em pronunciamento na TV, Berlusconi afirmou que pretende apoiar o novo “governo técnico de alto nível” liderado pelo economista Mario Monti, como parte dos esforços para salvar o euro da crise econômica global. Ele defendeu sua carreira política de 17 anos e insistiu que a lei de orçamento de 2012, aprovada na semana passada, contém reformas econômicas que preenchem mais da metade das demandas feitas pelos parceiros da União Europeia (UE).

“Fizemos todo o possível para salvar nossas famílias e companhias da crise global”, disse Berlusconi, em mensagem transmitida em cadeira nacional de TV. “A crise está em todos os lugares, não está afetando apenas a Itália”, acrescentou.

O ex-premiê disse ainda que vai apoiar Monti, partindo do princípio de que sua administração terá “amplo suporte parlamentar bipartidário”. Segundo ele, sua saída e o ato de oferecer apoio a um governo técnico vão exigir dos adversários políticos que evitem “a insensatez geral e os insultos gratuitos”, referindo-se a manifestações contrárias a seu governo.

O primeiro-ministro deixou claro que não está abandonando a política. Berlusconi afirmou que não vai “se render” até que ele e seus apoiadores tenham tido sucesso em modernizar a Itália em sua arquitetura institucional, judicial e fiscal, erradicando todas as relíquias ideológicas e corporativistas. “A Itália tem se acostumado a um sistema de alternância bipolar agora. Quem quer que lidere o próximo governo, não pode abandonar nossa soberania e autonomia nacional”, disse.

(Com Agência Estado e Reuters)

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