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Presidente da Alemanha renúncia após denúncias de corrupção

Berlim, 17 fev (EFE).- O presidente da Alemanha, Christian Wulff, que assumiu o cargo há menos de dois anos, foi obrigado a renunciar diante da pressão dos partidos políticos, da imprensa e da sociedade após um escândalo de corrupção e tráfico de influência.

A situação se tornou insustentável após a Promotoria de Hannover solicitar no Congresso alemão nesta quinta-feira o cancelamento da imunidade do político do partido Democrata-Cristão (CDU) para possibilitar uma investigação contra ele.

O escândalo surgiu há dois meses, após o jornal ‘Bild’ publicar que Wulff mentiu ao Parlamento regional da Baixa Saxônia, quando presidia o estado, sobre seus vínculos com um empresário, de quem teria aceitado um crédito privado para a compra de uma casa.

Apesar de pedir desculpas por não ter mencionado o ocorrido ao ser perguntado por isso em 2008, o presidente não conseguiu acalmar os ânimos da opinião pública. E para piorar a situação, apareceram novas suspeitas.

Wulff foi acusado de levar sua família para passar férias na Itália, Espanha e Estados Unidos a convite de diversos empresários, assim como de ter adquirido veículos para uso privado em condições suspeitas.

Nestes dois meses após as denúncias, a chanceler alemã, Angela Merkel, demonstrou em mais de uma ocasião seu apoio a Wulff, que chegou à presidência em junho de 2010 por indicação da chefe de governo após a renúncia de Horst Köhler.

Embora tenha sido nomeado pela coalizão governamental, ele teve que passar por três votações até se tornar presidente, cargo que precisou deixar devido às dissidências nos partidos da base e rejeição da oposição.

Christian Wulff foi o presidente mais jovem da história da Alemanha e o segundo católico a assumir a chefia do Estado, após Heinrich Lübke.

Desde que Merkel lançou sua candidatura, o político, um estrategista muito mais duro do que seu sorriso supõe, precisou lidar com os questionamentos dentro do próprio governo, que perguntavam se ele era a pessoa adequada a assumir o cargo.

Wulff nasceu em Osnabrück, na Baixa Saxônia, em 1959, e se formou em direito. O ex-presidente está casado pela segunda vez e tem dois filhos, um com cada mulher.

O político ingressou nas fileiras da CDU em 1975 e foi primeiro-ministro da Baixa Saxônia entre 2003 e 2010 num governo de coalizão com o Partido Liberal (FDP).

Antes de chegar a esse posto, perdeu duas vezes seguidas no estado para o social-democrata Gerhard Schröder, chefe de governo da Baixa Saxônia de 1990 a 1998, ano em que se tornou chanceler alemão. EFE

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