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Presidente birmanês ordena fim de ataques a rebeldes no norte

O presidente birmanês pediu às forças armadas que parem de atacar os rebeldes do Exército pela Independência de Kachin (KIA), um estado do norte do país, para tentar solucionar o conflito por meios políticos, indicaram nesta segunda-feira fontes do governo civil sob controle militar.

O presidente Thein Sein “ordenou aos militares no sábado que não iniciem nenhum combate com o KIA no estado de Kachin, a não ser que seja em legítima defesa”, afirmou a presidência à AFP.

“O presidente quer chegar à paz de verdade com o KIA e também quer que o KIA saiba disso. Por isso, tenta solucionar este problema por meios políticos”, disse à AFP uma fonte governamental que pediu o anonimato.

O KIA é um dos grupos rebeldes mais poderosos de Mianmar. Entre outras coisas, se opõe à realização de um gigantesco projeto de represa em Kachin financiado pela China.

Em setembro passado, o novo governo birmanês, que vinha multiplicando os sinais de abertura em relação à oposição, decidiu suspender este projeto de represa após uma série de protestos populares.

A eletricidade da central em construção de Myitsone no rio Irrawady, em Kachin, estava destinada à China. Thein Sein anunciou que as obras seriam suspensas até o fim do mandato do governo atual, o que foi considerada uma grande guinada do regime.

Durante os meses anteriores, ocorreram combates entre rebeldes kachins e o exército birmanês nesta região onde empresas chinesas se envolveram na construção de várias represas, incluindo a de Myitsone, convertida em um símbolo na luta por uma maior autonomia.

A junta no poder em Mianmar há meio século deu lugar em março a um governo civil, embora sob o controle dos militares.