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Presidente alemão sob pressão após tentativa de intimidar a imprensa

Por Johannes Eisele - 3 jan 2012, 09h46

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, aliado da chefe de Governo Angela Merkel, enfrenta um bombardeio de pedidos para que renuncie ao cargo depois de uma tentativa de intimidação dos jornalistas para que não publicassem uma notícia sobre um delicado assunto privado.

O caso aconteceu em 12 de dezembro, quando o jornal Bild, considerado a publicação mais poderosa da Europa com 12 milhões de leitores, informou a Wulff que publicaria uma notícia sobre a obtenção da parte dele de um empréstimo em condições muito vantajosas da esposa do empresário Egon Geerkens.

Wulff teria ligado imediatamente ao acionista majoritário da editora do Bild, Friede Springer, e ao presidente da diretoria do grupo, Mathias Döpfner, para pedir a intervenção de ambos e impedir a publicação da notícia.

Ao ter o pedido negado, Wulff deixou uma mensagem de voz irritada no telefone celular de Kai Diekmann, diretor de redação do jornal, com a ameaça de processar o repórter responsável.

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Segundo fontes, o presidente do país aceitou dar sua versão dos fatos antes de retratar-se, pouco antes do fechamento do jornal.

Diversos jornais alemães, como o Financial Times Deutschland, o Hamburger Abendblatt e o Süddeutsche Zeitung, concordaram em destacar a ingenuidade de Wulff e em afirmar que uma pessoa que agiu de tal maneira não pode continuar como presidente.

Mais do que as condições de obtenção do crédito, a imprensa critica o fato de, em fevereiro de 2010, no Parlamento regional da Baixa-Saxônia, Wulff ter negado manter relações com os empresários.

Pouco antes do Natal, Wulff pediu desculpas e na segunda-feira seu porta-voz reafirmou o compromisso do governante com a liberdade de imprensa.

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A classe política demonstrou prudência até agora e contentou-se com pedidos de explicações, mas até os membros de seu partido, o Partido Democrata Cristão (CDU), não fizeram nada para defendê-lo.

Muitos consideram que o destino de Wulff depende de Merkel, que em junho de 2010 impôs com dificuldades a vitória dele para o cargo, que tem caráter honorário, mas com grande autoridade moral, em substituição a Horst Köhler.

Köhler, outro aliado da chanceler, foi forçado a renunciar após a polêmica provocada por uma entrevista na qual pareceu justificar a intervenção alemã no Afeganistão pela defesa dos interesses econômicos de Berlim.

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