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Presidente alemão admite ‘erro grave’, mas nega renúncia

Em entrevistas na TV, Christian Wulff tentou responder críticas por empréstimo

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, afirmou nesta quarta-feira que cometeu um “erro grave” ao tentar impedir a publicação de uma matéria sobre um criticado empréstimo imobiliário tomado por ele. O chefe de governo, porém, disse que não considera ter feito nada de ilegal e negou que vá renunciar, numa resposta à crescente pressão para que deixe o governo.

O escândalo começou no último mês de dezembro, quando o Bild, jornal mais vendido da Alemanha, publicou uma reportagem na qual afirmou que o presidente ocultou um empréstimo recebido por ele para comprar um imóvel. Na transação, feita com uma taxa de juros mais baixa do que a normalmente cobrada, Wulff recebeu 500.000 euros da mulher de um rico empresário.

No início desta semana, o presidente voltou às manchetes com a revelação de que, ao saber da provável publicação da matéria, Wulff ligou para o editor-chefe do Bild e ameaçou processar o jornal. Diante da pressão por sua renúncia, o presidente deu entrevista às TVs públicas ARD e ZDF nesta quarta-feira para tentar acalmar a situação.

“A ligação ao editor-chefe do Bild foi um erro grave, o qual lamento e pelo qual me desculpo”, disse. “Não (vou renuciar), porque tive um grande apoio nas últimas semanas de muitos cidadãos, dos meus amigos e funcionários. Gosto de cumprir meus deveres (como presidente), assumi o cargo por cinco anos, e quero mostrar ao final dos cinco anos que fui um presidente bom e bem sucedido”, completou.

Ex-premiê do estado da Baixa Saxônia e membro de alto escalão da União Democrata Cristã, o partido da primeira-ministra Angela Merkel, Wulff assumiu em 2010 o cargo de presidente da república, que é apenas simbólico na Alemanha. Apesar disso, ele tem grande influência e fortes relações com Merkel, que o apoiou.

(Com agências EFE e France-Presse)