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Presidente aciona Exército após protestos ganharem força na Colômbia

Atos contra governo de Iván Duque já duram um mês; na última sexta-feira mais de 10 pessoas morreram na cidade de Cali

Por Da Redação 31 Maio 2021, 16h53

Após um mês de protestos contra o governo, o presidente da Colômbia, Iván Duque, decidiu enviar o Exército para a cidade de Cali, epicentro da violência no país, para tentar conter a violência. Ao todo, mais de 7.000 soldados, inclusive militares da Marinha, serão enviados à região.

Os primeiros militares chegaram na cidade localizada a cerca de 460 km a sudoeste da capital Bogotá no sábado 29. Na véspera, Cali foi palco de um dos dias mais violentos desde o início dos protestos e mais de 10 pessoas morreram.

Em uma entrevista coletiva em Cali, Iván Duque disse que estava enviando “o máximo de assistência militar” à polícia. “Essa operação quase triplicará nossa capacidade em menos de 24 horas em todo o Estado, garantindo assistência também em pontos críticos, onde vimos atos de vandalismo, violência e terrorismo urbano de baixa intensidade”, disse.

Um dos mortos na sexta-feira era um oficial de folga do gabinete do procurador-geral, que supostamente abriu fogo contra os manifestantes e matou duas pessoas antes de perder a vida. Um toque de recolher também está em vigor desde às 19h de sábado.

A calma prevaleceu após a chegada dos militares, enquanto as autoridades anunciavam o desbloqueio de várias partes da cidade que ficaram sitiadas e onde o serviço de coleta de lixo e escombros foi restaurado. Na noite de sábado, 600 caminhões com alimentos e mantimentos e diversos caminhões-tanque com combustível chegaram para abastecer a cidade, de acordo com a Presidência.

Um mês de protestos

Os protestos generalizados começaram no final de abril em oposição a uma reforma tributária já retirada, mas desde então se expandiram para exigir renda básica, oportunidades para os jovens e o fim da violência policial. Além dos atos, os manifestantes também organizaram bloqueios de estradas, que causam escassez de alimentos e suprimentos em algumas partes do país.

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Há discordâncias em relação total de mortos desde o início dos protestos. A ONG Temblores e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) contabilizam 60 mortes, 43 atribuídas às forças de segurança. Do total de mortes, 39 ocorreram em Cali, a maioria na primeira semana de protestos.

Por outro lado, o Ministério Público conta 43 mortes, apenas “17 delas com uma ligação direta aos protestos”, e continua a procurar 123 pessoas dadas como desaparecidas durante as manifestações.

Duas semanas de negociações entre o governo e os manifestantes não levaram a nenhum acordo. Neste domingo, milhares de colombianos favoráveis ao governo de Iván Duque foram às ruas de diversas cidades para pedir o fim das manifestações e dos bloqueios de estradas, bem como expressar apoio às forças de segurança.

Preocupação internacional

O número de mortos deixados pelos confrontos do final de semana ainda não é claro. Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) recebeu relatórios de que 14 pessoas morreram e 98 ficaram feridas – 54 a tiros – em Cali na sexta-feira, motivo pelo qual expressou preocupação neste domingo, de Genebra.

“Estes fatos são muito preocupantes após o progresso que estava sendo feito para resolver a revolta social através do diálogo”, disse a alta comissária, Michelle Bachelet, que pediu uma investigação sobre todos que causaram mortes ou feriram outros, incluindo agentes do Estado, e que sejam punidos de acordo com sua responsabilidade.

A polícia reconheceu no sábado a presença de civis que “utilizaram armas de fogo indiscriminadamente contra outras pessoas” e garantiu que investigará os agentes que estavam presentes e “omitiram seu dever de evitar que esses fatos ocorressem e de capturar essas pessoas”.

(Com EFE)

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