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Presidência sul-africana pede um fim para ultimato em mina

Empresa deu prazo para grevistas voltarem ao trabalho, sob pena de demissão. Para governo, prioridade deve ser sepultamento das 34 vítimas de ação policial

Por Da Redação - 21 ago 2012, 09h09

A presidência sul-africana pediu aos administradores da mina de Marikana, onde a polícia matou 34 grevistas na semana passada, a suspensão do ultimato, que termina nesta terça-feira, para o retorno ao trabalho. A Lonmin, terceira maior produtora mundial de platina, deu aos 3.000 trabalhadores em greve o prazo até 7 horas (2 horas de Brasília) desta terça-feira para o retorno ao trabalho, sob pena de demissões. Também exigiu o retorno dos outros 25.000 trabalhadores, insistindo que garantirá a segurança de todos.

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Dez pessoas morreram em confrontos entre sindicatos depois do início da greve em 10 de agosto, o que provocou uma violenta intervenção da polícia na quinta-feira passada, que terminou com 34 mineiros mortos. O secretário-geral da presidência da África do Sul, Collins Chabane, afirmou que a empresa deveria suspender o ultimato até que todas as vítimas da ação policial fossem identificadas e sepultadas.

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O presidente Jacob Zuma decretou uma semana de luto no país. O vice-presidente da Lonmin afirmou nesta terça-feira que demitir os trabalhadores que se negam a retomar as atividades não contribuirá para acalmar a situação na mina de Marikana.

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Histórico – As mortes ocorreram em meio a conflitos entre os trabalhadores e policiais que tentavam contê-los durante protesto. Em greve, os mineiros revindicavam aumento salarial de 12% e melhorias nas condições de trabalho. Imagens registradas pelas emissoras de televisão mostraram que os trabalhadores foram atacados com armas de fogo, enquanto tentavam se defender com paus e pedras.

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Os mineiros estão em greve desde o último dia 10. No domingo, os trabalhadores da Lonmim se recusaram a voltar ao trabalho. Segundo eles, o retorno às atividades era um insulto aos mortos. Nos bairros de mineiros, em torno de Marikana, o clima de tensão predomina. Os relatos são de que, além dos mortos, ainda há feridos hospitalizados. No dia do incidente, 78 pessoas ficaram feridas nos conflitos.

Parte da imprensa sul-africana diz que o ex-líder da Juventude do Partido no Poder (o Congresso Nacional Africano) Julius Malema contribuiu para aumentar a tensão ao apelar aos trabalhadores que “intensifiquem a luta” e responsabiliza Zuma pelos acontecimentos.

Confira o vídeo em que a polícia sul-africana abre fogo contra os grevistas:

(Com agência France-Presse)

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