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Premiê turco diz que Síria se tornou ‘estado terrorista’

Recep Tayyip Erdogan ainda reiterou seu descontentamento com a comunidade internacional, que estaria, segundo ele, indiferente ao problema

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta quarta-feira que o presidente da Síria, Bashar Assad, criou um “estado terrorista” e reiterou sua frustração com a falta de consenso internacional sobre o caos no país vizinho.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Os massacres na Síria, que ganharam força com a indiferença da comunidade internacional, continuam aumentando”, afirmou Erdogan durante uma reunião de sua legenda, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco). O governo da Turquia, que inicialmente cultivava boas relações com a Síria, se tornou um dos mais ferrenhos críticos da gestão Assad desde o início do levante contra o ditador, em março de 2011.

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Refugiados – A Turquia está lidando com a entrada de cerca de 80.000 refugiados sírios em seu território e chegou a lançar uma proposta de criação de uma zona de segurança protegida por forças estrangeiras dentro da Síria. A iniciativa, no entanto, teve pouco apoio internacional.

PKK – O país ainda acusa Assad de fornecer armas para os insurgentes do grupo terrorista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em turco), que luta contra as tropas do governo no sudeste do território turco há quase três décadas. Apesar da Síria negar qualquer envolvimento com o grupo, a Turquia levantou a possibilidade de uma intervenção militar no país vizinho caso o PKK vire uma ameaça.

Egito – Paralelamente, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, declarou nesta quarta-feira que Assad precisa deixar o poder e que um quarteto de nações da região, proposto pelo governo egípcio, vai se reunir para discutir a questão.

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O mandatário disse, durante um encontro de ministros de Relações Exteriores do mundo árabe, no Cairo, que chegou a hora da mudança e que é preciso “não perder tempo falando de reforma. Esse momento já passou”. Mursi não deu mais detalhes sobre o encontro, que deve contar com os governos de Turquia, Arábia Saudita, Irã e Egito.

Combates entre forças do governo e grupos opositores em Alepo Combates entre forças do governo e grupos opositores em Alepo

Combates entre forças do governo e grupos opositores em Alepo (/)

Vítimas em Alepo – Enquanto a comunidade internacional discute as possíveis soluções para a guerra civil na Síria, a onda de violência prossegue no país. Pelo menos 19 pessoas, incluindo crianças, morreram nesta madrugada em Alepo, segunda maior cidade síria e reduto das forças rebeldes. O local vem sendo constantemente atacado pelas tropas do governo. Entre as as vítimas estavam sete crianças, como apontam fontes do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Dados não oficiais calculam que pelo menos 26.000 pessoas tenham morrido no país desde o início do conflito.

Manifestação – Pelo menos 33 pessoas ficaram feridas e outras oito foram presas na noite da última terça-feira após confrontos entre policiais e manifestantes egípcios que protestavam contra Assad em frente à Embaixada da Síria no Cairo, informou a agência de notícias egípcia Mena.

Segundo uma fonte dos serviços de segurança, os ativistas lançaram pedras e coquetéis molotov contra os policiais quando eles tentavam evitar que os manifestantes invadissem a embaixada. O jornal Al Masry Al-Youm acrescentou que as forças policiais utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes, que tomaram um carro oficial e detiveram um agente por um curto período.

(Com agências France-Presse, Reuters e EFE)