Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Premiê paquistanês tenta salvar coalizão após perder aliado

Partido MQM se uniu à oposição, e governo deixou de ter maioria no Congresso

Por Da Redação 3 jan 2011, 08h49

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, se reuniu com líderes da oposição nesta segunda-feira na tentativa de evitar uma possível moção de censura ao governo, depois que o segundo partido da coalizão no poder do Paquistão deixou de apoiá-lo e se uniu à oposição no domingo. A ação agravou a crise enfrentada pelo premiê Gilani e desestabilizou um aliado-chave na guerra contra a Al Qaeda.

O Movimento Muttahida Qaumi (MQM, na sigla em inglês) saiu do governo poucos dias depois da renúncia de seus dois ministros no gabinete, em meio às negociações com o Partido do Povo Paquistanês (PPP), no poder. O atual governo, que assumiu há menos de três anos, perdeu assim a maioria no Parlamento, ficando exposto a uma moção de censura da oposição.

“Decidimos passar à oposição porque o governo não fez nada para solucionar as questões que apresentamos”, disse um líder do MQM, Faisal Sabzwari. O partido discorda há muito tempo do PPP, do impopular presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, sobre a violência política em Karachi, a reforma tributária exigida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a corrupção e sobre a inflação crescente.

Sem as 25 cadeiras do MQM, a coalizão liderada pelo PPP soma apenas 160 dos 342 membros da Assembleia Nacional, abaixo da maioria de 172 representantes. No entanto, Gilani tentou passar tranquilidade e afirmou que o governo “não vai cair”.

“Fui eleito de forma unânime. Todos os partidos votaram em mim na Assembleia Nacional. Temos contatos com todos os partidos”, afirmou Gilani. O ministro da Informação, Qamar Zaman Kaira, se disse confiante na volta do MQM à coalizão de governo, mas Sabzwari parece intransigente. “O governo não escutou nossas demandas sobre controle da inflação e corrupção, e agora quer agravá-las com novos impostos”, disse Sabzwari.

Crise – Na noite de domingo, o MQM declarou que vai protestar contra “as decisões impopulares” do governo de Gilani, citando a alta dos preços dos combustíveis. A crise se precipitou na semana passada, com a renúncia do ministro Faroop Sattar, responsável pelos Paquistaneses no Estrangeiro, e do ministro Babar Ghauri, dos Portos e Transporte Marítimo, ambos do MQM.

O Paquistão é um aliado chave dos Estados Unidos na luta contra os talibãs e contra a rede terrorista Al Qaeda. Washington considera que as zonas tribais paquistanesas na fronteira com o Afeganistão são o quartel-general da Al Qaeda e considera vital a ação militar nesta região.

Continua após a publicidade

Publicidade