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Premiê japonês se desculpa pelas agressões do Japão na II Guerra

Shinzo Abe pediu 'sinceras desculpas' aos países vizinhos e fez referência até sobre os estupros cometidos pelas tropas japonesas durante ocupação da China e da Coreia

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu nesta sexta-feira, em seu esperado discurso pelos 70 anos do final da II Guerra Mundial, “sinceras desculpas” pelas agressões do Japão a países vizinhos. A declaração foi endereçada à China e à Coreia do Sul, países que, junto com outras nações asiáticas, foram vítimas do imperialismo japonês durante a guerra. Tanto Pequim como Seul reivindicavam que o Japão expressasse um pedido de desculpas claro.

O primeiro-ministro, conhecido por seu perfil nacionalista, evitou assim seguir o tom condescendente expressado por seus antecessores, como Tomiichi Murayama no 50º aniversário do fim da guerra e Junichiro Koizumi dez anos depois. “Devemos aprender as lições do passado e olhar em direção ao futuro”. Em alusão ao contexto histórico da II Guerra Mundial, o primeiro-ministro disse que “o mundo se encontrava sob as ondas do colonialismo, com as potências do leste como epicentro”, e acrescentou que “as ondas chegaram até Ásia”.

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O Japão “foi responsável por um dano e um sofrimento imensuráveis sobre gente inocente”, reconheceu Abe, que destacou que o país asiático “nunca deveria voltar a recorrer às ameaças ou à força” nem a protagonizar “incidentes, agressões ou guerras”. Durante estas disputas “foram perdidas incontáveis vidas de jovens com o futuro pela frente. Muitas mulheres viram sua honra e sua dignidade gravemente danificadas”, disse Abe. Estas palavras podem ser consideradas uma referência direta aos estupros e uso de escravas sexuais por parte do Exército imperial japonês durante a ocupação da Coreia e da China.

As relações entre Japão tanto com a Coreia do Sul como com a China se deterioraram após a chegada de Abe ao poder devido a seus atritos sobre fatos históricos relacionados com as agressões bélicas japonesas e a suas disputas territoriais. Apesar do pedido de desculpas, o primeiro-ministro do Japão é visto com desconfiança pelos países vizinhos por suas iniciativas revisionistas e por ter impulsionado uma reinterpretação do artigo pacifista da Constituição do Japão.

(Da redação)