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Premiê chama jornalista da ‘Economist’ de ‘sem-vergonha’

Recep Tayyip Erdogan se irritou com uma pergunta da repórter Amberin Zaman

Por Da Redação 8 ago 2014, 11h44

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, foi alvo de críticas nesta sexta-feira por chamar uma jornalista de “sem-vergonha”. Amberin Zaman, que é correspondente na Turquia da revista britânica The Economist e também escreve para o diário turco Taraf, perguntou ao principal dirigente opositor, Kemal Kiliçdaroglu, durante um debate televisionado, se uma sociedade muçulmana podia questionar suas autoridades. Depois dessa pergunta, em um ato eleitoral na cidade de Malatya, nesta quinta, Erdogan, apontado como favorito nas eleições presidenciais de 10 de agosto, se referiu a Zaman sem dizer seu nome.

“Uma militante disfarçada de jornalista, uma mulher sem-vergonha […] Lembre-se de qual é o seu lugar. A você foi dada uma caneta para escrever em um jornal […] e insulta uma sociedade de 99% de muçulmanos”, afirmou o primeiro-ministro. Em um comunicado, a Economist disse que a “intimidação de jornalistas não tem sentido em uma democracia. Com Erdogan, a Turquia se converteu num lugar cada vez mais difícil para o jornalismo independente”.

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O vice-primeiro-ministro Bulent Arinç também afirmou há algum tempo que “uma mulher não deve rir alto em público”. Sua declaração foi alvo de muitas críticas dentro de seu próprio país, uma nação majoritariamente muçulmana, mas onde o Estado é laico. O candidato da oposição Ekmeleddin Ihsanoglu criticou Arinç, afirmando: “Precisamos ouvir a risada alegre das mulheres”.

Popularidade – Os recentes casos de corrupção envolvendo altos funcionários do governo, o autoritarismo crescente na Turquia – que chegou a proibir o uso de redes sociais – e as desastradas declarações de Erdogan não foram suficientes para lhe tirar a popularidade. De acordo com uma pesquisa do instituto Gallup divulgada nesta sexta-feira, 59% dos turcos turca aprovam a gestão do primeiro-ministro islamita.

O respaldo à gestão de Erdogan, chefe do Executivo desde 2003, é especialmente alto entre as comunidades rurais, os mais pobres e os que só possuem educação primária, com valores entre 66% e 68%. Por outro lado, o apoio cai para 34% entre os universitários e se mantém em 48% entre as camadas mais ricas da sociedade. Também é notavelmente menor o apoio entre as mulheres (55%) do que entre os homens (62%), uma defasagem que as feministas turcas atribuem às políticas conservadoras do governo, com tentativas de proibir o aborto. Segundo aponta a pesquisa, o respaldo a Erdogan se deve à boa evolução econômica da Turquia, considerado um dos grandes méritos do chefe do Executivo.

(Com agências France-Presse e EFE)

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