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Premiê austríaco Sebastian Kurz é destituído pelo Parlamento

Apesar de sua popularidade, líder não foi capaz de se manter no poder após escândalo envolvendo vice-primeiro-ministro

O Parlamento da Áustria votou nesta segunda-feira, 27, uma moção de censura contra o primeiro-ministro conservador Sebastian Kurz, retirando-o do cargo após o escândalo de corrupção que implodiu sua coalizão de governo.

Esta é a primeira vez que um governo austríaco é destituído desde 1945. A votação foi motivada pelo vazamento de um vídeo gravado em Ibiza, na Espanha, em dezembro de 2017.

As imagens mostram o ex-vice-premiê e líder do ultradireitista Partido da Liberdade (FPÖ), Heinz-Christian Strache, negociando com uma mulher que se apresenta como sobrinha de um oligarca russo.

O escândalo já havia levado à renúncia de Strache e de todos os ministros do FPÖ e atingiu nesta segunda o premiê. Kurz é líder do Partido Popular Austríaco (ÖVP) e se consagrou como primeiro-ministro após formar uma coalizão no Parlamento com o FPÖ.

O resultado da votação da moção de censura foi anunciado pela vice-presidente do Parlamento, Doris Bures. O destino do líder de 32 anos, no poder desde o final de 2017, já havia sido selado esta manhã, quando o próprio FPÖ decidiu que votaria contra Kurz.

O Partido Social Democrata (SPÖ), principal legenda da oposição no país, anunciou no domingo que também apoiaria a moção. A soma dos 52 deputados do SPÖ e dos 51 do FPÖ configurou uma maioria na Casa, de 183 cadeiras.

Nos últimos dias, o FPÖ não parou de atacar Sebastian Kurz. Para Strache, exigir a saída do chanceler era “compreensível e lógico”.

“A confiança desapareceu”, disse o secretário-geral da legenda, Harald Vilimsky.

A coalizão ÖVP-FPÖ acabou depois da divulgação em 17 de maio no qual Strache propõe contratos públicos em troca de apoio financeiro russo.

Segundo o Kronen Zeitung, o Centro para a Beleza Política, um grupo alemão de artistas e ativistas políticos teria pago 600.000 euros pela divulgação do vídeo

O jornal mais lido da Áustria informou que as imagens foram produzidas por um advogado austríaco junto com outras três pessoas para mostrar rejeição às políticas do partido de Strache. Os 600.000 euros teriam sido pagos em moedas de ouro sul-africanas Krügerrand.

Enquanto isso, o Ministério Público de Viena anunciou hoje que está investigando o polêmico vídeo, embora não tenha dado mais detalhes a respeito.

Após a queda do líder do FPÖ, Kurz destituiu o ministro do Interior, também de extrema-direita. Em resposta, os outros ministros do partido abandonaram o Executivo, deixando o partido conservador governando sozinho.

Apesar de sua popularidade – segundo uma pesquisa recente, a maioria dos austríacos apoiava a permanência do chanceler no cargo -, Kurz não foi capaz de se manter no poder. Ele acusou os social-democratas e a extrema-direita de formarem “uma coalizão” para derrubá-lo.

Paradoxalmente, a votação da moção de censura aconteceu depois que Kurz saiu vitorioso no domingo com seu partido nas eleições para o Parlamento Europeu. A sigla obteve 34,9% dos votos no país, o melhor resultado de um partido desde a entrada da Áustria na União Europeia (UE), em 1995.

Segundo analistas, a popularidade do líder dos conservadores pode até ser reforçada com a proximidade das eleições legislativas antecipadas convocadas para setembro após o escândalo “Ibizagate”.

(Com AFP)