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Premiê australiana leva tombo na Índia e culpa o salto

Julia Gillard, que ficou conhecida por um discurso contra a misoginia, disse que os homens não apreciariam a logística de usar sapatos femininos na grama fofa

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, levou um tombo diante do memorial a Gandhi durante visita a Nova Délhi, na Índia, e precisou de ajuda para levantar. Logo após a queda, ela disse estar bem, apesar de ter aterrissado de cara no chão depois que seu sapato ficou preso na grama. As imagens do tombo ganharam os noticiários, assim como as de seu eloquente discurso contra a misoginia, realizado há pouco mais de uma semana.

Julia culpou o salto alto pelo tombo. “Os homens, que podem usar sapatos planos o dia inteiro, todos os dias, não apreciariam a logística do salto na grama fofa. Se você usa um salto, ele pode ficar preso na grama, e quando você puxa o pé, o sapato não vem – e aí o resto você viu como é”, disse, bem humorada, a um jornalista.

Não foi a primeira vez que um sapato mal escolhido criou constrangimentos para a primeira-ministra. No início deste ano, ela ficou sem um dos sapatos ao ser retirada por seguranças de um local onde ocorria um protesto. Os manifestantes chegaram a considerar leiloar o calçado na internet, mas acabaram por devolvê-lo à premiê.

Assista ao vídeo:

Discurso – Julia ficou conhecida recentemente por um discurso inflamado contra o machismo que extrapolou os limites do Parlamento australiano e foi comentado em vários países. No discurso, ela critica o líder da oposição, Tony Abbott, a quem acusou de misógino e sexista. O sucesso do vídeo, que se tornou viral e alcançou quase dois milhões de acessos no Youtube desde o último dia 8, provocou até uma atualização no maior dicionário da Austrália. A palavra ‘misoginia’, descrita pelo dicionário Macquarie como ‘aversão ou ódio a mulheres’, terá seu significado alterado na próxima edição para ‘preconceito arraigado contra as mulheres’, de acordo com a editora Sue Butler.

O discurso foi feito depois da renúncia do porta-voz do Parlamento, Peter Slipper, alvo de um escândalo envolvendo o envio de mensagens de conteúdo erótico a um ex-funcionário – Slipper é casado. O líder da oposição, Tony Abbott, havia dito que Slipper não era alguém ‘adequado’ para o cargo e, quando ele renunciou, o oposicionista disse que cada dia que Julia defendesse Slipper, aliado da premiê, seria ‘mais um dia de vergonha para esse Parlamento, e mais um dia de vergonha para esse governo, que já devia ter morrido de vergonha’.

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Julia saiu em defesa de Slipper e mirou Abbott. “O governo não está morrendo de vergonha”, disse. “Do que o líder da oposição devia se envergonhar é de seu desempenho no Parlamento e todo o sexismo que ele traz para cá”. A premiê disse ter ficado ofendida com várias atitudes de Abbott ao longo dos anos, incluindo o comentário de que ela devia ‘fazer dela mesma uma mulher honesta’, em referência ao fato de ela não ser casada, e a descrição do aborto como ‘a saída mais fácil’.

“Eu fiquei ofendida quando o líder da oposição saiu do Parlamento e posou ao lado de um cartaz escrito ‘enterrem a bruxa’. Eu me ofendi com essas coisas. Misoginia, sexismo, todos os dias”, disse a premiê. “Se ele quiser saber o que é misoginia na Austrália moderna, ele só precisa se olhar no espelho”, atacou.

Reações – O discurso de Julia ganhou muitos elogios, como uma reportagem da revista The New Yorker que apontou a fala da premiê como um modelo para o presidente americano Barack Obama aprender a ‘deixar a ingenuidade de lado e atacar a moral do oponente’. No entanto, na própria Austrália, houve críticas da oposição. “A primeira-ministra está regredindo a causa das mulheres em décadas por usar o sexismo como um escudo contra críticas de sua performance”, disse a mais alta figura feminina da oposição, Julie Bishop, vice-líder do Partido Liberal. “Em vez de ser lembrada como a primeira premiê mulher da Austrália, ela será lembrada como a primeira-ministra que decepcionou as australianas”.

Abaixo o discurso de Julia na íntegra e em inglês: